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Língua nossa de cada dia.

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Giba Net: Língua nossa de cada dia.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Língua nossa de cada dia.

(*) Nelson Valente

Certos erros de linguagem que aparecem na mídia impressa, falada, audiovisual e mesmo na letra de músicas são rápida e inconscientemente assimilados e usados pelo público, que chega mesmo a considerá-los modelos. Frequentemente ouve-se: "a TV diz assim", "o locutor fala deste modo" , "a letra da música é assim" , "o jornal publicou" , "vi no cartaz, no outdoor", etc.

Infelizmente, esta é a realidade em que vivemos, tratando-se da relação público e linguagem dos meios de comunicação de massa.

Diante desta real e preocupante situação, urge fazermos tudo o que está a nosso alcance para preservar a pureza desta língua tão bela e tão sonora, falada há quase um milênio, merecedora, portanto, de ser resguardada das distorções grosseiras a que é submetida,frequentemente, na mídia.

Vejamos alguns exemplos de incorreções colhidas aleatoriamente nos meios de comunicação e que poderiam ser facilmente sanadas:

- "Faz o que eu digo, mas não faça o que eu faço." (Faze o que eu digo...)

- "Obedeça seu velho. Gaste bem sua mesada." (Obedeça a seu...)

- "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és." (Dize-me com quem...)

- "Fi-lo porque quilo." (Fi-lo porque quis)

- "A nível de administração." (Em nível de ..) (Jorge S.Martins)

- " Ao meu ver." ( A meu ver...)

Os cartazes, os anúncios, a imprensa, a letra de música populares refletem o desenvolvimento cultural da sociedade da qual todos fazemos parte. Cabe-nos denunciar os maus uso da língua nessas formas de comunicação, para que seus erros não venham a ser motivo de vergonha para nós.

Entre as incorreções que destoam no uso da língua, são frequentes pequenos descuidos, até perdoáveis, mas há casos de barbarismo contra a pureza da língua nos aspectos sintáticos, regenciais, ortográficos, sem falarmos de troca tão comum de tratamento, como também de organização ilógica de ideias, o que acarreta, frequentemente, ambiguidades e interpretações errôneas de pensamento.

A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. Todas as línguas estão repletas de palavras estrangeiras que foram naturalizadas.

Os jornais brasileiros (alguns) nos dizem com frequência que Michael Schumacher, da Fórmula I - pegou a "pole position", um termo inglês inútil, pois pode dizer perfeitamente que chegou em primeiro lugar ou qualquer coisa parecida. Certa vez, li num jornal que Schumacher, tinha conseguido a "pool position". Ele devia estar, então, na piscina!

Hoje em dia, as pessoas falam sua língua nativa mais corretamente, lêem mais jornais, mais livros. Isso não significa que a humanidade esteja melhorando e tampouco quer dizer que há menos banalidades, esterótipos e bobagens.

Os editores, os donos de televisão, jornais e os críticos literários não entenderam que houve uma revolução espiritual, que o nível geral subiu.

Os franceses fazem de conta que brigam com o inglês, mas têm medo mesmo é do alemão. Desde a queda de Berlim, a Europa do Leste transformou-se num bolsão de poliglotismo alemão e há muita probabilidade de que o alemão se imponha na Europa!

Nunca, no mundo, alguém conseguiu impor a língua estrangeira dominante. Os romanos foram mestres do mundo, mas seus eruditos conversavam em grego entre si. O latim se tornou a língua europeia quando o império romano desmoronou. No tempo de Montaigne, o italiano era o vetor da cultura. Depois, durante três séculos, o francês foi a língua da diplomacia. Por que o inglês, hoje? Porque os Estados Unidos ganharam a guerra e porque é mais fácil falar mal o inglês do que falar mal o francês ou o alemão. O que não impede que os franceses falem de uma "colonização" de sua língua pelo inglês.

Contudo, neste momento em que os países lusófonos se unem no fortalecimento da Comunidade Linguística da Língua Portuguesa: em que se luta para que o português seja reconhecido também como língua oficial da ONU: em que o português vai alcançando o 4º lugar entre as línguas mais falada no planeta. Não podemos deixar que ela se desfigure e se deturpe de maneira tão galopante, como está acontecendo nos meios de comunicação.

Em geral, o erro linguístico depõe contra quem o cometeu. Vamos preservar a "Língua nossa de cada dia".

(*) professor universitário, jornalista e escritor

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2 Comentários:

Às 9 de setembro de 2010 01:52 , Blogger Dú Pirollo disse...

Meu caro amigo Giba, boa noite!!!
Nossa língua é riquíssima, mais não podemos esquecer que tivemos muita influência de outras línguas na colonização de toda a nossa vasta área territorial. Alguns erros realmente são imperdoáveis, mais muitos vem a contribuir para o enriquecimento dessa bela língua. Neste ponto concordo com o amigo Assis. Em um país cheio de analfabetos e semi-analfabetos não tem como exigir disciplina rigorosa na linguagem.
Parabéns pela excelente postagem!
Grande abraço e muita paz!!!

 
Às 9 de setembro de 2010 18:33 , Anonymous Nelson Valente disse...

Concordo com os amigos: Assis e Luis Eduardo, sobre o regionalismo da língua portuguesa. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. A universidade sempre teve como objetivo cultivar e transmitir o saber. Depois, sob o impacto determinado por novas exigências, constatou-se a necessidade de ampliar os conhecimentos, produzir novos saberes, e o meio privilegiado foi a pesquisa. Tomemos, a título de ilustrações a questão da linguagem, que muitas vezes é o elemento responsável pela não divulgação ou, o que é equivalente, pela não compreensão das pesquisas. Inúmeras delas vêm involucrudas numa linguagem hermética e fechada, acessível apenas ao pequeno grupo de iniciados. A linguagem, ao invés de tornar transparente e acessível, obscuresse e esconde.É necessário que a divulgação ultrapasse a barreira acadêmica e, no caso da pesquisa educacional, atinja as redes do Ensino Fundamental e Médio, os pais, os alunos, a imprensa e a comunidade.
Certa feita, o educador Paulo Freire, disse-me: A comunição é a melhor e menor distância entre dois pontos- com horizontalidade na comunicação – sem o exemplo negativo do falar bonito, porque, obscuresse e não há comunicação. E também é índice, que nos remete ao aprendizado de tal pessoa ou indivíduo.
Abraços aos amigos sempre atentos acima mencionados e aos seus internautas ( Rose, Fátima, entre outros, meu respeito).

Abraços,

Nelson Valente

 

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