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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Janio da Silva Quadros - O Estadista


O amigo Nelson Valente lançou mais um livro, com o título: " Janio da Silva Quadros -  O Estadista"
Este livro é mais um complemento da grandiosa obra sobre o presidente mais marcante da história política de nosso país.

O advogado e professor Jânio da Silva Quadros pode ser considerado um dos maiores fenômenos políticos da história brasileira.

Em apenas treze anos, de 1948 a 1961, galgou todos os degraus possíveis da carreira política, de vereador na cidade de São Paulo à Presidência da república.

Para incentivar a sua curiosidade, vou deixar aqui apenas a capa desta magnifica obra (acima) e um pequeno resumo do autor (abaixo), que lançará este livro oficialmente nos dias 19 e 20 de agosto, que aconselho você a procurar nas principais livrarias.

" Corri bibliotecas, colhi depoimentos, li e reli centenas de revistas e jornais antigos e conversei muito com o próprio personagem. O ex-presidente sempre foi comigo por demais atencioso, relatou-me fatos que hoje tenho por obrigação passar através deste livro:- Entrevistas e bilhetinhos revelam as várias facetas e o estigma da renúncia do político Jânio da Silva Quadros.

O futuro presidente já tinha por hábito escrever a colegas e subordinados. Foi por meio de uma carta escrita por ele em 1961 e entregue ao Congresso Nacional que Jânio deixou a Presidência. Para a renúncia, há mais de dezoito versões diferentes. As minhas pesquisas indicam que o ex-presidente Jânio da Silva Quadros tentou renunciar pelo menos onze vezes nos mesmos moldes e uma tentativa de deposição em toda a sua vida pública.

Nos sete meses de governo, Jânio Quadros despachou cerca de quinhentos "bilhetinhos", como são chamados popularmente. Os bilhetinhos foram combatidos, mas temidos e respeitados. Neles se observa o humano e o sentido de humor de Jânio Quadros. Os célebres "bilhetinhos" só o eram para o público, pois para JQ, eram despachos, papeletas ou memorandos altamente enérgicos e exigentes. Essas ordens escritas foram cognominadas "bilhetinhos" por um jornal de São Paulo, com o intuito de depreciá-los, mas o efeito foi contrário, e eles ganharam a notoriedade e a importância que realmente importava.

Dizia-se que Jânio inspirara-se em Churchill quando deliberou utilizar-se do sistema dos bilhetinhos. Outros declararam que ele se inspirou em personalidade mais próxima, Getúlio Vargas, que os enviou ao seu antigo chefe da Casa Civil, Sr. Lourival Fontes.

Para não desmerecer sua biografia, recheada de renúncias, também desta vez Jânio abandonou a Prefeitura dez dias antes de completar o mandato, viajando para Londres. E os últimos dias de governo foram administrados por seu Secretário de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo (ex-governador do Estado de São Paulo). O objetivo deste livro é demonstrar que a renúncia de Jânio da Silva Quadros foi um ato pessoal e suas entrevistas e seus bilhetinhos revelam o estigma e suas várias facetas na arte de renunciar. "

Boa leitura.

Um grande abraço

Giba

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sábado, 25 de setembro de 2010

Jânio Quadros no Processo de Comunicação

(*) Nelson Valente

Jânio da Silva Quadros é uma personalidade incomum, pois, examinando-se as personalidades históricas no mundo da política e das ciências em geral, podemos notar que em cada uma dessas personalidades conseguimos definir quem é populista ou pragmático.

O populista modifica o seu discurso, ajustando-o ao dia em que será pronunciado, diante das vicissitudes do momento e aos meios culturais, sociais e econômicos.

Refiro-me, neste caso, aos populistas astutos, prudentes, deixando de considerar certos tipos de populistas antigos e contemporâneos que praticam, ou praticavam, um só tipo de discurso, dentre eles alguns de passado não muito longínquo, que se mostravam cômicos e outros que apresentam um discurso puramente ideológico, imutável, já que procuram, em primeiro lugar, convencer a platéia quanto às vantagens da adoção dos seus objetivos ideológicos e, em segundo lugar, buscam a adesão e os votos.

O populista ideológico procura penetrar no conceito das populações mais simples, desprovidas de cultura, porque são manipuláveis e arrastadas facilmente para integrar-se a ideologias.

O discurso ideológico de esquerda, em geral, é contestador e contundente. Por isso atrai e carrega os indivíduos descontentes com a situação vigente, acreditando que as mudanças no sistema político social podem resultar em abrandamento da suas angústias.

O discurso pragmático é de conteúdo conservador; procura explicar o que se pretende fazer e, ao mesmo tempo se compromete a zelar pelos bens já existentes, neles incluindo-se o patrimônio institucional.

Quando um país passa pela fase de desenvolvimento, isto é, está saindo para a modernidade, observa-se a ocorrência de surpresas no comportamento de sua sociedade, seja no procedimento social ou político. Nessas mudanças de comportamento observa-se que as manifestações de caráter se enfraquecem, dando lugar a sentimentos moderados e cada vez mais nacionais.

Nesta situação transitória, ocorre o enfraquecimento das lideranças políticas, pois, à medida que o cidadão se torna mais consciente da realidade que o cerca, mais cresce o seu sentimento de autonomia e mais se distancia das lideranças políticas e vai desaparecendo o que chamamos de "voto cativo".

Nesta fase os políticos populistas começam a sair de cena e cair no ostracismo e novos nomes surgem no horizonte nacional, porém, sem a estabilidade de permanência que caracteriza os chamados líderes carismáticos, conhecidos principalmente nos países do Terceiro Mundo.

O líder é atuante e o liderado é fraco e, naturalmente, dependente. Em situações semelhantes, a simples decisão de um líder pode ser fatal. Na condução ao sucesso, poderá ser aclamado por sua coragem e sabedoria; ao fracasso, tanto o líder quanto aos seguidores irão negar provavelmente que tal decisão tenha-se tomado livremente.

Jânio, considerado um líder carismático, com uma personalidade firme, contando com uma coalizão de grupos, resolve chegar às raias da tragédia da política brasileira: a renúncia.
O líder pode de forma significativa estabelecer diferenças numa série de conjecturas ao enunciar tomadas de decisões pessoais, em momentos de conjuntura crítica. Charles de Gaulle, Joseph Stalin, John Kennedy e Lyndon Johnson e cada um deles, em sua época, tomou uma ou várias decisões desse tipo. Foram pressionados até o máximo de suas resistências pelo peso da responsabilidade de tomar atitudes, enquanto outros vicejaram sob tais pressões.

Vejamos então, considerando-se as características que definem o populismo e o pragmatismo e as influências que exercem no contexto das Nações, como se poderá definir a personalidade do cidadão dentro do processo de comunicação.

Os princípios da comunicação seriam definidos, em seu conjunto, há algumas décadas passadas, como "Propedêutica", que significam estudos preparatórios que servem de base para aprofundamentos de estudos subseqüentes. Por isso considero de grande importância que se encaixe este estudo enfocando o cidadão Jânio da Silva Quadros desde os primórdios da sua vivência pública:

1 – Foi eleito vereador da cidade de São Paulo, apresentando-se como cidadão pobre, dizendo-se igual e, portanto, defensor dos possíveis eleitores, utilizando, então, um discurso populista; chegando a deputado estadual repetindo o mesmo estilo e, em seguida, à Prefeitura da Capital;

2 – Logo em seguida, lançou-se candidato ao governo do Estado de São Paulo, empunhando a bandeira da "moralidade", também populista;

3 – Terminado o mandato de Governador, elegeu-se Deputado Federal pelo Estado do Paraná;

4 – Em 1960, foi lançado candidato à presidência da República pela União Democrática Nacional (UDN), um partido de características marcadamente pragmáticas, recebendo completamente o apoio de mais alguns partidos;

5 – Jânio, que até então havia sobrevivido na vida pública através de um discurso populista, atraiu imediatamente as atenções, não só dos cientistas políticos do Brasil, mas também do Exterior, todos interessados em saber qual seria a linguagem que Jânio aplicaria, levada à campanha eleitoral por um partido organicamente pragmático.
Espanto geral entre os cientistas políticos!

Jânio enquadrou-se tranqüilamente ao esquema da UDN, propondo reformas modernizantes (objetivos permanentes da UDN), dando-lhes uma conotação de objetivos trabalhistas.

Jânio da Silva Quadros mostrou assim, ser capaz de agradar e convencer a um só tempo a gregos e troianos, colhendo votos de ricos e pobres, elegendo-se para a Presidência da República com mais de cinco milhões de votos, o que, para a época, era algo acima de quaisquer previsões.

Jânio da Silva Quadros expressa, ao mesmo tempo, linguagem verbal e não verbal, começando com uma oração verbal e terminando na forma não verbal, através de gestos e até de modificações no seu semblante, características nunca antes observadas em manifestações de caráter público.

Perguntar-se-á, então:
Jânio da Silva Quadros é produto da sua linguagem?
Resposta incisiva: Não.

Jânio da Silva Quadros é produto do meio e do momento. Como já mencionei neste trabalho, o Jânio populista consegue impressionar milhares de trabalhadores num determinado lugar e data e, poucos minutos após, e à pequena distância dali, consegue transmitir firmeza e confiabilidade a empresários e homens de negócios

Conhecedor dos problemas brasileiros, sempre foi capaz de dizer o que as pessoas esperavam e desejavam ouvir, expressando-se de acordo com o meio em que se encontrava, transformando tudo isto em votos de ricos, medianos e pobres.

Este comportamento "sui generis" sempre deu a Jânio da Silva Quadros uma marca muito acentuada à sua personalidade, chamando a si a atenção da maioria das pessoas em todas as classes sociais.
Elegia-se pela via populista e governava pragmaticamente e seus eleitores não se sentiam frustrados, pois Jânio sabia conciliar os interesses de todas as classes, tornando-se cada vez mais respeitado.

Tomava medidas enérgicas contra ação de grevistas sem, no entanto diminuir sua popularidade e, se tivesse se candidatado à Presidência da República em 1989 teria voltado ao cargo, não só pelo seu carisma, mas também pela confiabilidade que sempre marcou suas atitudes.

Seu comportamento sempre apresentou, a cada dia, uma nova faceta, mostrando-nos que o Jânio que pensávamos conhecer no seu "todo" nos contradizia, nos surpreendia.

Jânio NO CONJUNTO DE COMPORTAMENTOS

Nas observações de comportamento, Jânio da Silva Quadros também é elemento a ser estudado.

Quando observado fora de pronunciamentos, em manifestações públicas, demonstra a figura de um cidadão pacato e até desinteressado. Sempre pareceu não se preocupar com sua aparência pessoal, apresentando-se costumeiramente com o colarinho e a gravata desalinhados, mostrando-se separado das exterioridades. Em eventos sociais seu comportamento é retraído e distante, parecendo estar fisicamente num lugar e mentalmente noutro.

Conclui-se, então, que esse distanciamento que Jânio demonstra parecendo estar mentalmente em outro lugar é uma evidência que ele não permanece ligado ao objeto em questão, mas sim aos seus signos. Daí a impressão de desligamento e desinteresse.

Há, portanto, um descompasso entre Jânio visível e o invisível. O Jânio visível é notado diante do objeto, mas o Jânio invisível já está há muito envolvido com os signos desse mesmo objeto.
Isso significa que, enquanto ele permanece visivelmente estático, sua mente continua caminhando e convivendo com os signos do objeto em evidência, dando-nos a impressão de que o indivíduo está diante do objeto real, concreto.

Aos olhos do observador do comportamento humano, se afigura que há entre Jânio e o objeto em questão um processo de abdução, mas, na realidade, o Jânio visível está do lado de cá e o Jânio invisível, mental, já transpôs o espaço subseqüente ao objeto e trilha o terreno dos signos.
Aqui, cabe uma observação elucidativa: às vezes, numa sala de aula, observamos um aluno que parece não estar interessado na aula que está sendo ministrada. Sua postura se afigura indolente, o que preocupa e quase sempre irrita o professor. Este então, solicita ao aluno que fale sobre o que ele, professor, acabara de dissertar. Para surpresa de todos, e muito mais do professor, o aluno acionado diz tudo sobre o que o professor falou e prossegue dando exemplos e formulando problemas e soluções. É que o indivíduo visível apresenta-se com aspecto desinteressado, indolente o que causa a impressão de irreverência e desconsideração, mas na realidade, é esse indivíduo o mais integrado naquilo que se está tratando, tão integrado que até já assimilou o que o professor ainda não disse.
É um falso ícone, porque a representação visível é exatamente contrária ao conteúdo real que está no invisível, isto é, o homem espírito e o homem pensamento.

Há casos em que o indivíduo parece estar dormindo, quando assiste à aula ou palestra. Permanece com os olhos fechados, dando impressão de desapreço. Mas, essa imagem pode não estar representando a realidade, uma vez que nos exercícios de aplicação do pensamento utilizados na prática da psicologia, para que a mente tire o melhor aproveitamento do seu potencial, ouve-se e mentaliza-se com os olhos fechados, pois assim, passa-se a ver com os olhos da mente tudo o que é captado pela audição.

Quando ouvimos com os olhos abertos, mesmo que estejamos dispensando total atenção àquilo que nos está sendo transmitido, não conseguimos assimilar tudo com absoluta eficiência. O meio ambiente, isto é, as coisas materiais, como uma parede, uma mesa, até uma figura estampada numa camiseta toma lugar no nosso consciente misturando-se ao objeto de interesse no momento, contaminando-o e tornando-o impreciso.
Quem assiste às aulas ou palestras com os olhos fechados, torna concreta em sua mente cada palavra proferida, dando forma e cores a cada uma e vê, ao mesmo tempo, todos os seus signos, dando também a estes, formas, tamanhos e cores. Tudo isso ao mesmo tempo em que as palavras representativas do objeto são proferidas.

Olhando analiticamente para um indivíduo com essa característica, só poderemos defini-lo como concreto/abstrato. Seu ícone de homem visível, concreto, palpável, completamente inverso ao homem invisível, homem espírito, absolutamente integrado ao objeto do momento, ou em questão, totalmente dissociado do meio que o cerca. Alheio a todos que o observam fisicamente, ignorando que ali está aquele mesmo indivíduo atento e ativo, assimilando cada palavra proferida, dando-lhes formas, tamanhos e cores, traçando linhas de interligação que as integram aos seus signos, tudo no tempo equivalente ao de um flash ou de um relâmpago.

Tal indivíduo consegue ver o mundo de uma só vez, com seu relevo, seus problemas e suas injustiças; vê a miserável estrutura moral da maioria dos homens a quem Cristo não conseguiu convencer; as enormes populações de alienados que a sociedade de consumo usa como objetos úteis aos seus propósitos; o desmoronamento dos costumes que inapelavelmente levará seus protagonistas a caminhos desconhecidos, inóspitos e vazios.

Os indivíduos que apresentam estas características são naturalmente calados. Estão sempre vendo coisas e situações que as outras pessoas só vêem quando são atingidas por elas.

Jânio da Silva Quadros é um desses pensadores de olhos fechados, que vê e grava em seu subconsciente, objetos e signos em forma cristalina, sem ofuscamentos, solidamente fixados.

DEFINIÇÃO DE Jânio da Silva Quadros NO CONTEXTO DA COMUNICAÇÃO

DISCURSO: Populista.
COTIDIANO: Pragmático.
COMPORTAMENTO SOCIAL: Introvertido.
COMPORTAMENTO POLÍTICO: Carismático

Jânio é produto de sua linguagem?
Não! Jânio é produto do seu pensamento abstrato, astuto o suficiente para manipular seu discurso, adaptando-o ao gosto das várias camadas sociais brasileiras.

CARACTERÍSTICA IDEOLÓGICA: Social democrata.
TENDÊNCIA NACIONAL: Presidencialista.

No decorrer de sua vida pública, Jânio foi rotulado como: comunista, socialista, reacionário e entreguista.

Mas todos esses rótulos eram falsos, uma vez que o social democrata é defensor da eficiência das leis vigentes, conservador na manutenção e aprimoramento dos costumes e sedimentação das estruturas familiar e social.

- Por que Jânio deve ser estudado no contexto da comunicação?

- Porque Jânio sempre aplicou, ao mesmo tempo, a linguagem verbal de expressão populista e a linguagem não verbal pragmática. Aquela, para satisfazer a platéia popular e esta, para causar boa impressão aos cidadãos mais esclarecidos.

CONTRADIÇÕES:

A proposta natural de um social democrata e sempre bem definida e pragmaticamente administrada. É de característica moderada.
O discurso populista é agressivo e de tendência nacionalista.
A administração social democrata é moderada e conservadora.
A administração populista é marcada por propostas mudancistas radicais e contestadoras.





"QUANDO JÂNIO LEVANTAVA A VASSOURA,
A PLATEIA ENTRAVA EM ÊXTASE"

A multidão permanecia gritando "Jânio! Jânio! " Procurando fazer-se ouvir acima da algazarra, e percebendo que o candidato chegava, o locutor seguia sempre o mesmo ritual:

- "Atenção, Piripiri! Atenção, Piauí! Atenção, Nordeste! Atenção, Brasil! Vai falar aquele que foi vereador, Deputado estadual, prefeito de São Paulo, Governador de São Paulo, Deputado federal e agora, aos 44 anos de idade, é o futuro Presidente do Brasil!"

Essa frase jamais conseguiu ser dita de enfiada, porque, à menção de cada degrau da carreira política do candidato, era o delírio. Senhores da classe média, terno, gravata e chapéu, misturavam-se a operários, peões de obra, lavradores, estudantes e madames cheias de jóias. Padres e freirinhas apontavam o eleito de Deus, a dezenas de fiéis que haviam trazido incorporados. Funcionários públicos, pequenos e grandes empresários, crianças – todos e quantos mais lá estivessem faziam então silêncio absoluto ao sinal ríspido de Jânio, com as mãos, anunciando que ia falar. Ouvia-se, então, as moscas voarem. A massa já estava sob seu poder.

Raras vezes o País viu orador tão brilhante. O discurso era o mesmo, com pequenas adaptações para o momento e a região. Moralidade, ordem, autoridade, lei e sacrifícios. Recuperação nacional. Ladrões na cadeia, em especial os grandes. Atravessadores e especuladores no pelourinho. Vassouradas inesquecíveis a torto e a direito. Nada havia de ridículo no gesto que sempre repetia, de levantar a vassoura acima dos ombros. Era o êxtase.

Falava da inflação, da necessidade de "por a casa em ordem". Prometia reformas estruturais na economia e direitos sociais mais amplos para o trabalhador. Finanças em equilíbrio, arrancando aplausos demorados dos conservadores participação dos empregados nos lucros das empresas, levando os esquerdistas às nuvens. Nova política externa, onde o Brasil não seria mais escravo dos Estados Unidos, mas, nem por isso, se tornaria escravo da União Soviética. Elogiava Fidel Castro e prometia silos e escoamento da produção para o fazendeiro. Reforma agrária para o camponês.

Havia, em suas palavras, um prato para cada gosto. Uma ilusão para cada sonhador. Todos terminavam por identificar, nele, o seu modelo de Presidente, ainda que, descuidadamente, não atentassem para os outros modelos, que serviam aos outros grupos.

Era respeitoso. Jamais agrediu adversários, mesmo quando agredido. Em Itapipoca, no Ceará, foi precedido no microfone por um Deputado federal, que discursava chamando Juscelino Kubitschek, então Presidente, dos piores nomes. Jânio não gostou e começou a desviar a atenção da massa. Um menino vendia balas, ao lado do palanque. Mandou chamá-lo enquanto o orador, meio desconcertado, prosseguia em suas perorações. Escolheu demoradamente uns caramelos e, quando o Deputado, numa insistência desmedida, estendeu as mãos para falar que o governo tinha as dele sujas de sangue, não teve dúvidas: tacou-lhe dois caramelos por entre os dedos, o que fez todo mundo rir e acabar o discurso.

D. Eloá a tudo assistia, meio aturdida e espremida nos pequenos palanques. Ficava bem atrás do marido. Quando ele se voltava para ela, esticando o braço, trazendo-a para perto do microfone e abraçando-a, os jornalistas já sabiam: era hora de deixar o local a qualquer custo e risco, encontrar um táxi ou um motorista entusiasmado em transportar para o aeroporto aquela gente que ficava tão próxima do candidato. Porque eram as palavras finais, que duravam pouco. Depois delas, Jânio seguia direto para o DC-3. Quem já estivesse a bordo continuava a viagem, quem não estivesse ficava, porque ele não esperava ninguém. Certa feita, José Aparecido de Oliveira, secretário particular, foi deixado em Cascavel, no Paraná, só conseguindo alcançar a comitiva dois dias depois, no interior do Rio Grande do Sul.

- "Minha esposa me pediu que dirigisse as última palavras á mulher brasileira, a verdadeira dona da vassoura, aquela que jamais se dobrou às agruras da vida e trabalha, duro, todos os dias, construindo a grandeza do país..."

Era a senha, que os jornalistas ouviam já ao longe, rezando para que o motorista fosse bom e não se deixasse ultrapassar pelo carro de Jânio, logo a seguir desembalado. Só no último comício de cada dia, noite alta, não precisavam correr para o aeroporto. Nem por isso conseguiam ficar na praça ou chegar a algum bar ou restaurante.

Era hora de outra correria, então para o posto telefônico, onde companheiros da mesma jornada de trabalho se tornavam inimigos, cada um querendo precedência para falar com as sedes de seus jornais, para a transmissão dos acontecimentos do dia. Não chegara o tempo dos satélites, do telex, dos computadores e de toda a parafernália eletrônica que hoje torna amenas as atividades de comunicação. Nem microondas havia. As ligações demoravam 5, 6 ou mais horas, conectadas do fim do mundo para o Rio ou São Paulo. Não havia furos, cada jornalista ficava sabendo da matéria do outro, mesmo se estivesse na calçada do posto telefônico.

Perigos? De vez em quando. Voando de Cuiabá para Rondonópolis, o DC-3 ficou perdido. Voava há duas horas, todos apreensivos, o combustível ia acabar. Fernando Correia da Costa, candidato a Governador do Mato Grosso, vai para a cabine ajudar os pilotos, enquanto Jânio, branco feito uma cera, tenta levantar o ânimo dos jornalistas e comenta: "Estamos perdidinhos, meus amigos, perdidinhos". Correia da Costa manda seguir um rio, lá em baixo, guia-se por uma cadeia de montanhas ao longe e, no fim, surge a cidade. Quando o avião desce, uma surpresa: não havia um só correligionário esperando. Vem o vigia do aeroporto e explica, tomando um susto ao ver Jânio: "Aqui não é Rondonópolis. É a cidade de Mineiros, em Goiás..."

Sobrevoando Salvador, num Convair da Real Aerovias, o trem de aterrissagem baixava mas não fixava. Todos a bordo ouviam o bater surdo das rodas voltando ao compartimento de onde deveriam sair, enquanto o piloto gastava combustível para descer de barriga. Lá embaixo, na pista, ambulâncias e carros de bombeiros. O avião desceu, em manobra arriscada, onde o trem de aterrissagem foi fixado pelo atrito com o chão. Jânio, outra vez, quis levantar o moral: "Meus amigos, não foi nada".

Atrás dele, pela primeira vez, outra voz tornou-se mais aguda e irritada, tendo o todo-poderoso candidato que se curvar a ela, entre sorrisos amarelos. Era D. Eloá botando para fora tudo o que trazia na garganta, por conta do sofrimento de tantos meses. Como todos os maridos, mais cedo ou mais tarde, Jânio recebeu sua quota de desaforos e agüentou calado.

Outra passagem engraçada foi com o candidato à vice-presidência, Milton Campos que ouviu da aeromoça a pergunta se estava com falta de ar e respondeu: "Falta de ar, propriamente não, minha filha. Estou mesmo com falta de terra..."

Alagoas, conturbada com Arnon de Mello (pai de Fernando Collor), Governador jurado de morte por adversários políticos de Palmeira dos Índios, onde Jânio chegou para um comício. O prefeito local, Robson Mendes, prometera: "Nem Jânio, nem Arnon falam da minha cidade. Dissolvo o comício à bala". Na hora, meio dia, um sol de matar, tropas do 20º Batalhão de Caçadores cercam a praça principal e o palanque. O candidato fala, o prefeito some.

O mês de setembro de 1960 foi uma loucura. Dormia-se no avião, que viajava à noite, para ganhar tempo.

Uma viagem entre Recife e o Rio levava seis ou sete horas. Para diminuir a irritação de que toda a comitiva ia sendo tomada, desse ritmo intenso, Jânio levantava um pouco a disciplina a bordo. Mandava servir bissextas doses de uísques aos jornalistas e até se divertia com as "eleições" que faziam em trajetos longos. Ganhou quando eles votaram para Presidente. Só não gostou quando os repórteres elegeram o mais grosso da comitiva: ele mesmo.

Nos últimos dias de campanha, ninguém tinha mais dúvidas de que estava eleito. Não se apresentava mais como candidato, mas dizia em praça pública: "Quem lhes fala já é o futuro Presidente da República".

Era mesmo. Ou foi, até que renunciou, sete meses depois da posse...

(*) é professor universitário, jornalista, escritor e amigo inestimável

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Entrevista com Aloizio Mercadante (PT)



O REGIME DE PROGRESSÃO CONTINUADA E APROVAÇÃO AUTOMÁTICA É A MESMA COISA ! E SENADOR DEMONSTROU QUE NÃO CONHECE A LDBEN E NADA FEZ NO SENADO PARA MODIFICÁ-LA. DIZ O SENADOR: QUERO ACABAR COM A APROVAÇÃO AUTOMÁTICA MAS NÃO QUER ACABAR COM A PROGRESSÃO CONTINUADA. SENADOR...É A MESMA COISA, UMA QUESTÃO SEMÂNTICA.


Toda lei é como um retrato de uma sociedade: tem caráter ideológico, representa interesses de um grupo e como tal reflete as necessidades e as contradições de uma época e de uma determinada população. Não diferente disso, a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) é resultado histórico de um jogo de forças e interesses (Lei Federal n.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996) e foi instituída com o objetivo geral de atender as demandas da realidade educacional brasileira neste final de século.

A nova LDBEN visando a democratização, entendida aqui como garantia de acesso e permanência na escola, trouxe uma novidade no que diz respeito ao tipo de sistema ou regime adotado pelo Ensino Fundamental, sugerindo e estimulando, através do Artigo 32, parágrafos 1º e 2º, da LDEN nº 9394/96, que o ensino fundamental seja baseado no regime de Progressão Continuada e não mais no antigo modo seriado.

O regime foi adotado no Municipio de São Paulo, na gestão do PT, governo Luiza Erundina e o secretário Paulo Freire.

O artigo 32, parágrafos 1º e 2º da LDBEN nº 9394/96, deverão ser corrigidos por uma Portaria Ministerial, embora seja um remendo lamentável. Como pode uma lei do Congresso ser corrigida por instrumento de menor hierarquia?

Nelson Valente

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domingo, 12 de setembro de 2010

O jornalismo em tempo real

(*) Nelson Valente

Vivemos num mundo de constantes mudanças, no qual o conhecimento e a capacidade de utilizar informações constituem nosso maior e mais importante bem cultural. Portanto, mais do que aprender, entendemos que é necessário que o aluno em Jornalismo desenvolva a capacidade de aprender a aprender.

No mundo contemporâneo, muitos são os espaços nos quais a ação educativa se realiza. Por isso, embora a escola de Comunicação continue sendo o foco das atenções e o campo preferencial de trabalho do jornalista, a verdade é que, na "sociedade do conhecimento", muitas outras possibilidades se abrem para aqueles que se dedicam ao verdadeiro jornalismo, abrindo e fechando aspas.

O curso de Jornalismo, portanto, não se propõe a formar apenas o jornalista, mas um profissional capaz de atuar em diversos âmbitos da sociedade e de responder às diversas demandas e exigências desta mesma sociedade cada vez mais complexa. Para tanto, precisa estar preparado para enfrentar, com criatividade e competência, os problemas do cotidiano, ser flexível, tolerante e atento às questões decorrentes da diversidade cultural que caracteriza nossa sociedade; ter espírito crítico, responsabilidade social e uma atitude ética e comprometida com a melhoria da qualidade de ensino de Jornalismo de nosso país.

Perspectivas e oportunidades

A formação do jornalista deve contemplar um conjunto de saberes, valores e competências coerentes com a concepção de que cabe a esse profissional não apenas aplicar e reproduzir conhecimentos, mas ser capaz de participar ativamente dos processos de produção de novos saberes relativos ao seu campo profissional. Além disso, um jornalista deve tomar decisões em função de análises e juízos sobre a realidade social na qual está inserido, a fim de contribuir para a transformação da sociedade dentro do espírito do trabalho coletivo e orientado por princípios de sensibilidade ética e de convivência democrática.

Para tanto, o que se pretende para os futuros jornalistas, além de garantir-lhes oportunidades de adquirir os conhecimentos específicos de sua futura área de atuação profissional, é que se possibilite também a ampliação e o enriquecimento de sua visão de mundo e de seu universo cultural, por meio de experiências investigativas que os instiguem a refletir, indagar, questionar e resolver situações-problema.

Espera-se, assim, que esta formação inicial abra perspectivas e oportunidades de criar uma cultura de formação continuada de um profissional que necessita estabelecer uma íntima e constante relação entre teoria e prática, fomentando a pesquisa, o trabalho participativo junto à comunidade e criando oportunidades para um conhecimento profundo, crítico e consistente sobre a realidade em que atuará.

(*) é professor universitário, jornalista, escritor e inestimável amigo

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Desprezo pela cultura !


(*) Nelson Valente

Um nazista foi enfático ao se deparar com a palavra cultura: - "Quando a ouço, tenho vontade de puxar o revólver e sair atirando".Tornou-se clássico o desprezo totalitário pelo conceito de cultura e os seus naturais desdobramentos.

Hoje, cultura merece o respeito das nações pós-industrializadas. É pensada, como ocorre nos Estados Unidos, até como próspero negócio, onde circulam bilhões de dólares. Como seria natural, no mundo cultural também se busca o aumento da eficiência, o banimento do amadorismo, enfim a qualidade total. Para que isso ocorra, são necessários dois pré-requisitos essenciais: a sensibilização humana e a capacitação técnica.

Os especialistas em marketing cultural proclamam que os empresários da área têm essas duas qualificações, o que infelizmente nem sempre é verdadeiro. Há filmes abaixo da crítica e peças teatrais que jamais deveriam ter sido montadas. Essas obras "geniais" muitas vezes contam com expressivos recursos de patrocínio oficial, que costuma premiar os filhotes costumeiros. O curioso é que se reclama do montante de recursos disponíveis para o financiamento de tais produções.

Como não existe uma política cultural digna do nome, a premiação é feita por critérios estritamente pessoais, muitas vezes aquinhoando elementos conhecidos das "panelas" que se estabeleceram para disputar esse tipo de paternalismo.

O presidente da República não tem planos concretos para a área cultural, como não poderia deixar de ser, tendo ele a biografia de um permanente comprometimento no campo das ideias: cultura zero. Com Ministério ou Secretaria será possível criar fatos novos na área, a começar pelo desmantelamento da influência dos produtos culturais de gabinete. Não se deseja paternalismo, nem assistencialismo, nem protecionismo.

A partir daí será possível criar um esquema novo de trabalho, nesse importante setor da vida brasileira.

(*) é professor universitário, jornalista, escritor e amigo inestimável

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sábado, 11 de setembro de 2010

Alckmin é o meu candidato!

(*) Nelson Valente


Empenhado como estou nas eleições de governador, do candidato Geraldo Alckmin, calmo, dono de um estilo que ele chama de "pé no chão" e não agride seus adversários e aposta na experiência adquirida no governo estadual. Segundo, Geraldo Alckmin: - "Sempre que um candidato começa a falar mal do concorrente é prova de fragilidade. Aprendi com meu pai que os erros do concorrente não aumentam nossas qualidades ".


Geraldo Alckmin, têm razão e Freud explica: a projeção consiste em transferir, para as pessoas e objetos de nossas relações, os nossos conflitos internos inaceitáveis. Ao contrário da conversão pela qual os transferimos para nós mesmos convertidos em sintomas ou doenças, na projeção os transferimos para o exterior, para as outras pessoas ou coisas. Não só os impulsos hostis agressivos e sexuais, mas tudo o que é recalcado pode ser projetado para os demais. "Não sou eu que o amo… mas ele que me procura…; não sou eu covarde, indiscreto, desonesto, ladrão, imbecil, etc., mas ele sim …; não sou eu que o odeio, mas ele sim que me odeia…" "Não desejo atacá-lo, é ele quem deseja atacar-me." Em casos extremos, esta atitude atribui aos outros qualidades totalmente inventadas, como nos delírios de persecução dos paranóicos; outras atribui aos outros as qualidades que ele mesmo tem; em casos mais leves basta exagerar as qualidades dos outros, para disfarçar as próprias. A esposa, por exemplo, esquece seu próprio ódio, ou seu ciúme e acusa o marido destes defeitos; o marido, por sua vez, pode disfarçar seu desejo inconsciente de enganar a esposa, acusando-a de traição.


Enquanto não se acabar com a marginalidade – e aí há razões sociais econômicas a serem consideradas – é preciso lutar para que se amplie o número de horas das crianças em nossas escolas. Muitas delas, às vezes, nem sequer tem um lar regularmente constituído. Se fosse possível reter as crianças por mais tempo na escola, pelo menos em dois turnos, certamente os valores morais transmitidos pelos mestres funcionariam como elemento redutor das influências nefastas vividas em termos de vizinhança. É um esforço que precisa ser feito. Geraldo, vai agir !


A reeleição de meus amigos candidatos, a deputado federal  José Anibal, em São Paulo, atraiu várias empresas sem artifícios fiscais e deu o impulso inicial para a mais bem sucedida política de ensino profissionalizante do país, com a construção da Fatec Leste (1ª faculdade pública e gratuita da zona leste de São Paulo, região da Capital que tem 4 milhões de habitantes). A partir daí, dezenas de Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e Escolas Técnicas (Etecs) foram implantadas em São Paulo nos governos de Alckmin e José Serra.


O candidato a deputado estadual ,Bruno Covas, neto de do saudoso Mário Covas começou cedo na política, participando do Clube dos Tucaninhos e aprendendo com o avô os valores e princípios que norteiam sua vida até hoje: ética, honra, honestidade, dedicação e respeito com as pessoas.Quero acreditar que o homem de nossa querida hinterlândia dê a esses candidatos o seu apoio irrestrito.


O candidato ao senado, Aloysio Nunes, ocupou o cargo de Secretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, administrado por José Serra. Foi o responsável por toda a articulação política entre as pastas do governo e os municípios.


Marta Suplicy, com projetos inovadores, principalmente nas áreas de transporte e educação, marcaram a administração de Marta à frente da Prefeitura de São Paulo. Uma mulher de extraordinária competência!


Reitero o apêlo a meus denodados companheiros da hinterlândia para que prestigiem os candidatos que passo a indicar. Livres, sem ambições pessoais.


(*) é professor universitário

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Lei n. 12.292/10 - Alguém me diga que é mentira!!!


Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos


Autoriza o Poder Executivo a realizar doação para a reconstrução de Gaza.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a doar recursos à Autoridade Nacional Palestina, em apoio à economia palestina para a reconstrução de Gaza, no valor de até R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais).

Parágrafo único. A doação será efetivada mediante termo firmado pelo Poder Executivo, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, e correrá à conta de dotações orçamentárias daquela Pasta.

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 20 de julho de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Celso Luiz Nunes Amorim
Paulo Bernardo Silva 

Este texto não substitui o publicado no DOU de 21.7.2010

REVOLTANTE...
vamos divulgar essa vergonha. Enquanto os brasileiros do nordeste sofrem horrores com a maior enchente já ocorrida com inumeras mortes lares destruidos milhares de crianças passando fome e sede , sem a ajuda necessaria do governo federal, esses sem vergonhas corruptos do Partido dos trabalhadores e seus ex-guerilheiros como o Celso Amorim e a Candidata do Lula guerrilheira Dilma, doam de nosso suado dinheiro, via brutal carga tributária R$ 25.000.000,00 ( vinte e cinco milhões de reais a fundo perdido para os COMPANHEIROS guerrilheiros do hammas da faixa de gaza.
Pena que nossa imprensa não divulga essa putaria e o lula ainda reclama do pouco que é divulgado.
Continuem votando nessa gentalha e aguardem nossa vez de sermos esmagados por esses esquerdistas corruptos.
Empresarios, continuem financiando a campanha dessa guerrilheira, e aguardem o confisco de suas empresas quando conseguirem seus objetivos. OLHEM BEM A LOBA EM PELE DE CORDEIRINHA.

Que Deus tenha misericórdia de nós e de nosso País !!!   VERGONHA NACIONAL!!!!!!!!!! Se duvidar, entre no site do Planalto.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Língua nossa de cada dia.

(*) Nelson Valente

Certos erros de linguagem que aparecem na mídia impressa, falada, audiovisual e mesmo na letra de músicas são rápida e inconscientemente assimilados e usados pelo público, que chega mesmo a considerá-los modelos. Frequentemente ouve-se: "a TV diz assim", "o locutor fala deste modo" , "a letra da música é assim" , "o jornal publicou" , "vi no cartaz, no outdoor", etc.

Infelizmente, esta é a realidade em que vivemos, tratando-se da relação público e linguagem dos meios de comunicação de massa.

Diante desta real e preocupante situação, urge fazermos tudo o que está a nosso alcance para preservar a pureza desta língua tão bela e tão sonora, falada há quase um milênio, merecedora, portanto, de ser resguardada das distorções grosseiras a que é submetida,frequentemente, na mídia.

Vejamos alguns exemplos de incorreções colhidas aleatoriamente nos meios de comunicação e que poderiam ser facilmente sanadas:

- "Faz o que eu digo, mas não faça o que eu faço." (Faze o que eu digo...)

- "Obedeça seu velho. Gaste bem sua mesada." (Obedeça a seu...)

- "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és." (Dize-me com quem...)

- "Fi-lo porque quilo." (Fi-lo porque quis)

- "A nível de administração." (Em nível de ..) (Jorge S.Martins)

- " Ao meu ver." ( A meu ver...)

Os cartazes, os anúncios, a imprensa, a letra de música populares refletem o desenvolvimento cultural da sociedade da qual todos fazemos parte. Cabe-nos denunciar os maus uso da língua nessas formas de comunicação, para que seus erros não venham a ser motivo de vergonha para nós.

Entre as incorreções que destoam no uso da língua, são frequentes pequenos descuidos, até perdoáveis, mas há casos de barbarismo contra a pureza da língua nos aspectos sintáticos, regenciais, ortográficos, sem falarmos de troca tão comum de tratamento, como também de organização ilógica de ideias, o que acarreta, frequentemente, ambiguidades e interpretações errôneas de pensamento.

A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. Todas as línguas estão repletas de palavras estrangeiras que foram naturalizadas.

Os jornais brasileiros (alguns) nos dizem com frequência que Michael Schumacher, da Fórmula I - pegou a "pole position", um termo inglês inútil, pois pode dizer perfeitamente que chegou em primeiro lugar ou qualquer coisa parecida. Certa vez, li num jornal que Schumacher, tinha conseguido a "pool position". Ele devia estar, então, na piscina!

Hoje em dia, as pessoas falam sua língua nativa mais corretamente, lêem mais jornais, mais livros. Isso não significa que a humanidade esteja melhorando e tampouco quer dizer que há menos banalidades, esterótipos e bobagens.

Os editores, os donos de televisão, jornais e os críticos literários não entenderam que houve uma revolução espiritual, que o nível geral subiu.

Os franceses fazem de conta que brigam com o inglês, mas têm medo mesmo é do alemão. Desde a queda de Berlim, a Europa do Leste transformou-se num bolsão de poliglotismo alemão e há muita probabilidade de que o alemão se imponha na Europa!

Nunca, no mundo, alguém conseguiu impor a língua estrangeira dominante. Os romanos foram mestres do mundo, mas seus eruditos conversavam em grego entre si. O latim se tornou a língua europeia quando o império romano desmoronou. No tempo de Montaigne, o italiano era o vetor da cultura. Depois, durante três séculos, o francês foi a língua da diplomacia. Por que o inglês, hoje? Porque os Estados Unidos ganharam a guerra e porque é mais fácil falar mal o inglês do que falar mal o francês ou o alemão. O que não impede que os franceses falem de uma "colonização" de sua língua pelo inglês.

Contudo, neste momento em que os países lusófonos se unem no fortalecimento da Comunidade Linguística da Língua Portuguesa: em que se luta para que o português seja reconhecido também como língua oficial da ONU: em que o português vai alcançando o 4º lugar entre as línguas mais falada no planeta. Não podemos deixar que ela se desfigure e se deturpe de maneira tão galopante, como está acontecendo nos meios de comunicação.

Em geral, o erro linguístico depõe contra quem o cometeu. Vamos preservar a "Língua nossa de cada dia".

(*) professor universitário, jornalista e escritor

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Maura de Senna Pereira, uma mulher que revolucionou o seu tempo.


Maura de Senna Pereira: primeira jornalista em Santa Catarina.

O trabalho conta a trajetória profissional e pessoal da primeira jornalista de que se têm registros em Santa Catarina.

Através da pesquisa em jornais do início do século passado e consulta a especialistas, o texto revela o nome da mulher precursora no jornalismo do Estado: Maura de Senna Pereira.

Ela iniciou a carreira em Florianópolis, escrevendo especialmente, artigos sobre as qualidades e conquistas femininas e a busca dos direitos da mulher.

Dirigiu colunas literárias e representou Santa Catarina em diversas situações. Maura defendeu também causas ambientais e escreveu uma série de livros, principalmente de poesias.

Foi membro da Academia Catarinense de Letras e, ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, retornando depois disso poucas vezes à capital catarinense.

Tudo começou graças a um empurrãozinho de José Acrísio, redator, em 1923, de um dos mais importantes jornais da capital catarinense.

Ele desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis. A resposta ao desafio chegou à redação de O Elegante poucos dias depois, e a responsável foi Maura de Senna Pereira,
pseudônimo: Alba Lygia. Em pouco tempo, o nome verdadeiro foi descoberto, e Santa Catarina conhecia aquela que viria a ser a primeira jornalista do Estado de fato.

Uma mulher à frente do seu tempo, assim foi Maura de Senna Pereira.

Ela nasceu em março de 1904, aprendeu a ler antes mesmo de freqüentar a escola; e aos 19 anos, com a morte do pai e de um de seus irmãos, teve que trabalhar para sustentar a família de 10 pessoas. Foi nesse
momento que Maura assumiu sua primeira profissão, a de professora.

Mas essa ocupação seria apenas para garantir a renda da família porque desde o primeiro artigo para O Elegante, Maura não deixaria mais de escrever.

O roteiro pela imprensa catarinense Presbiteriana, a jornalista exerce, em 1924, a presidência da Sociedade Auxiliadora dos Moços, e escreve para o jornal O Atalaia, ambos ligados à Igreja Católica. Sua primeira participação expressiva na imprensa será, no entanto, no mesmo O Elegante de seu artigo precursor.

Ela retoma sua vocação para o pioneirismo e escreve em 31 de março de 1925 aquele que viria a ser o primeiro artigo feminista publicado em Santa Catarina: "Volvamos nossas vistas para o porvir".

Ele será parte de uma série publicada na seção "Feminismo", da qual Maura tornou-se responsável.

"Nesses últimos tempos, com especialidade, muito se há pregado uma profissão para a mulher. Que ela se não dedique exclusivamente - á aprendizagem de encargos domésticos e prendas essencialmente feminis.

E o que é mais: que não viva unicamente a cuidar de si, para aparecer bem, bem mascarada, á força de rouge, carmin e crayon, vivendo a vida material das futilidades e do coquetismo, das mentiras de salão,
cuidando das modas e de flirt, em busca do marido rico, de invejável posição social, a quem levianamente entregará o coração e a vida, sem a menor reflexão, quasi sempre sem amor, e que lhe assegurará a mesma
existência cômmoda e chique. (...)"

No próximo ano, ela passa a escrever a coluna "À la garçonne", do jornal florianopolitano Folha Nova.

"Nela, Maura traçava perfis de senhoras e senhoritas da elite catarinense, não dentro dos padrões da época, mas mostrando sua importância pelas atividades que desenvolvem".

Porém, sua participação mais duradoura na imprensa de Florianópolis da época, será no jornal República, onde escreveria por sete anos.

Em maio de 1931, seu nome apareceria no expediente do jornal entre os principais redatores. A partir de então, Maura tornou-se responsável pela página "Domingo Literário", publicada semanalmente.

Na seção, seu nome figura como diretora geral, sempre no topo da página, emoldurada e decorada. Em um período em que a comunicação entre Florianópolis e os outros centros culturais é escassa, Maura traz para a capital catarinense poemas e artigos de autores de outros estados brasileiros, e até mesmo, de fora do país.

Lauro Junkes, escritor e presidente da Academia Catarinense de Letras - da qual Maura fez parte graças a seu jornalismo engajado, e presença intelectual marcante na vida social de Florianópolis - diz que a maior
contribuição da escritora foi conseguir a projeção da mulher em uma atividade predominantemente masculina.

"Maura foi uma mulher de espírito avançado em tudo", completa Junkes.

As bandeiras As principais lutas de Maura eram relacionadas às mulheres.

Ela defendeu incessantemente o direito da mulher ocupar novos espaços na sociedade - de não ficarem restritas à esfera do lar -, o direito ao divórcio e ao voto feminino. "Para Maura a educação seria o meio das
mulheres conseguirem ficar em posição de igualdade com os homens".

No que diz respeito ao divórcio, a jornalista sentiu na pele o preconceito da sociedade da época. Aos 27 anos, casou-se pela primeira vez e foi morar no Rio Grande do Sul, terra-natal do seu então marido.
Frustrada, ela rompe o casamento e volta para Florianópolis.

Não permanece na Ilha nem por um ano, não havia espaço para mulheres separadas, muito menos no meio público.

Um exemplo de mulher para Maura, e tema recorrente de seus artigos, foi Anita Garibaldi. A jornalista destaca, além do heroísmo de Anita; a mulher que não se conforma com os papéis já estabelecidos pela
sociedade e assume novas posturas.

Apesar de ressaltar essas qualidades, ela faz questão de citar os atributos da heroína ditos femininos, já que eram esses os respeitados pela sociedade.

"Pode-se dizer que Maura foi uma feminista possível para a época, porque uma pessoa, por mais que inove, nunca está totalmente desligada de seu contexto", explica Junkes.

Além de defender causas feministas que somente mais tarde as militantes começariam a reivindicar, a jornalista também prenunciou uma consciência ecológica que surgiu apenas nas últimas décadas do século passado.

Rio de Janeiro, a terra adotada Depois da separação do primeiro marido, Maura vai morar no Rio de
Janeiro, cidade onde viverá até o fim da vida e encontrará - como ela mesma descreve em poemas - o verdadeiro amor. Maura conhece o escritor José Coelho de Almeida Cousin, poeta mineiro de quem já havia publicado textos na seção "Domingo Literário", do jornal República, de Florianópolis.

Em 1942, Maura passa a viver com o escritor e desperta mais fortemente para a poesia. A partir de então, ela torna-se novamente pioneira: passa a abordar o aspecto sexual das mulheres em seus textos.

Na imprensa carioca, Maura trabalhou em diversos jornais e revistas.

Entre eles, A Noite, A Manhã e Vida. A impossibilidade de ter filhos fez com que se interessasse por alguns temas relacionados ao assunto.

Em A Noite, por exemplo, a jornalista publica várias reportagens sobre o parto sem dor, realizadas na maternidade Clara Basbaum. Em 1957, a série torna-se livro e um fenômeno de vendas na Feira de Livros
realizada naquele ano, no Rio de Janeiro.

No jornal A Manhã, Maura escreve ainda inúmeras reportagens sobre fecundidade, esterilidade e terapêutica psiquiátrica.

No entanto, sua colaboração mais duradoura na imprensa carioca seria no jornal Gazeta de Notícias.

Primeiro, como criadora e responsável pelo suplemento "Mulher" que inicia em 1950. Mais tarde, como editora das colunas "Casa de Boneca" e "Nós e o Mundo".

Depois da mudança e união com Cousin, Maura retorna poucas vezes à Florianópolis, muitas delas para participar de eventos públicos e representar, como no período em que morou na sua terra-natal, a mulher
catarinense.

Maura de Senna Pereira a mulher que abriu portas para as novas jornalistas e questionou valores enraizados na sociedade, morre no Rio de Janeiro, aos 88 anos, deixando saudades ao mundo jornalístico e literário.

Jornalista e poetisa A veia poética acompanhou Maura de Senna Pereira em toda sua vida.

É reconhecida por grandes escritores e está expressa em diversos livros.

Carlos Drummond de Andrade avaliou sua poesia como de "alta meditação existencial". Jorge Amado classificou seus versos como "densos e fortes".

Seu primeiro livro foi Cântaro de Ternura, publicado em 1931; seguido de Poemas do Meio-Dia de 1949, e Círculo Sexto (1959). País de Rosamor, de 1962, é considerado pelos críticos, uma de suas principais
obras e representa uma síntese do pensamento da escritora.

Nele, Maura propõe um novo mundo, de uma sociedade igualitária, socialmente justa e em harmonia com a natureza.

Em 1980, a autora escreve Despoemas, um livro de apenas 23 páginas; seguido de Cantiga de Amiga, editado em 1981. Poemas-Estórias, de 1984, é um misto de poesia, conto, fábula narrativa e fábula poética.

Seus últimos livros -7 Poemas de Amor e Busco a Palavra - foram publicados em 1985, sete anos antes de sua morte.

Parabéns!
Como sobrinha-neta sinto-me orgulhosa por ver que o trabalho dela continua através da admiração e do estudo (tão fiel à realidade) de pessoas como o Nélson Valente.

Magda

Enviado por Magda em 16. Março 2010 - 22:05.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

A maldição da cadeira


*Por Nelson Valente
Em campanha eleitoral, Jânio Quadros visita o Palácio e encontra o presidente do STF. - Nesta cadeira será diplomado um dos três candidatos à Presidência - disse-lhe o ministro Nelson Hungria. - E o senhor ainda tem dúvida sobre qual será ele? - respondeu-lhe Jânio. O fotógrafo, atento ao diálogo, convida Jânio a sentar na cadeira. Ele recusa, dizendo:
 - Dá azar! – batendo na mesa de madeira ao lado.

* Nelson Valente é jornalista, escritor, professor universitário e inestimável amigo

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Personagens de nossa política, como no filme da Branca de Neve...


(*) Nelson Valente

Se quiséssemos copiar aqui no Brasil o filme Branca de Neve e os sete Anões, de Walt Disney, criaríamos, sem dificuldades, outro belo conto infantil, recheado de personagens reais.

A presidência da República, no caso, seria a própria Branca de Neve, e seu príncipe encantado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva: feliz, saltitante, sempre cantarolando: - " Eu vou, eu vou, prá escola, agora eu vou..".

Quanto aos anões, Atchin seria o Plínio de Arruda Sampaio, por estar sempre infestado em suas ventas com o virus da imaturidade e também de manter o seu nariz permanentemente arrebitado: para ser o Dengoso , ninguém melhor que o ministro Guido Mantega, personagem que se assanha a tudo possa trazer e prover dividendos; Feliz seria o ex-ministro José Dirceu, pois seu sorriso, nos últimos meses, sempre está de orelha a orelha; Zangado não poderia deixar de ser o ex-governador José Serra, com o seu costumeiro e emburrado " nada a declarar"; Dunga é o próprio Levy Fidelix, não só pelo seus caracteres físicos como também pelo seu comportamento político, nem sempre muito claro; para ser o Soneca – advinhem? Quem mais senão o ex-governador Aécio Neves; o Mestre seria, claro, o senador Aloysio Mercadante, com seus entreveros e dissabores; a Bruxa Malvada seria a Dilma Rousseff, a eterna escondida, que vez ou outra, consulta seu espelho mágico indagando:

- " Espelho, espelho meu, existe alguém mais inteligente do que eu? Como? Tem a Marina! Tem o Serra ! Tem, tem, os milhões de brasileiros!

Há histórias que são emblemáticas, com toda a sua coorte de personagens, fatos e mensagens. Bruxas, fadas e duendes frequentam o imaginário do eleitor e a sua exploração deve ser feita de modo adequado pelos políticos que têm a responsabilidade de "fazer campanha". A comunicação é menor e a melhor distância entre dois pontos: o diálogo com o eleitorado.

Veja-se o caso de "a lebre e a tartaruga". Hoje, no mundo dos políticos (em todo território nacional), no uso da técnica do diálogo/pesquisa/questionamento eleitorais, muitos políticos afirmam que a tartaruga chegou primeiro, na famosa corrida, porque a "lebre ficou dormindo", quando na verdade ela foi sacrificada pelo desejo de ser "esperta", numa aplicação à fábula da nefasta "lei de Gerson".

Questionamentos e confrontos de pontos de vista, como são hoje sugeridos pelos escritores brasileiros, jornalistas, eleitores contribuem para a superação do natural egocentrismo da classe política, possibilitando a conquista gradual da autonomia de pensamento político. Assim nascem os indivíduos socialmente críticos, por intermédio da viabilização da sua autoconstrução.

O emprego, nessas questões, da literatura infantil na política, representa um grande conforto, pois ideias, confrontos e interesses transbordam de um contexto extremamente prazeroso para os eleitores. Daí nasce a motivação do voto – e os resultados naturalmente constituem uma consequência desse processo eleitoral.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A árvore das assombrações...

(*) Nelson Valente

Tarde fria e chuvosa. Densas nuvens cinzentas acumulam-se no horizonte de minha cidade natal, Novo-Horizonte/SP, ameaçando pancadas de chuva. O vento suave como a brisa, entoando nas ramagens das árvores e nas frinchas das venezianas a melancólica canção da tristeza e da saudade.

Postado atrás da vidraça da casa tristonha e silenciosa, ouvia-se o tamborilar da chuva nas calhas do telhado enegrecido pela espessa camada de musgo, e o ribombar do trovão que se perde como mugido na vastidão ilimitada. É a mística sinfonia da natureza a envolver a nossa infância feliz e despreocupada, quando em tardes semelhantes, com as pernitas desnudas, brincava-se ruidosamente, afundando os pés nas enxurradas tumultuosas.

Sou levado pela música adormecedora, refluindo as imagens do passado que não volta mais, e, como a gota que escorre pela vidraça que oculta, uma lágrima que deslizava pela face. Julgo-me a violar um mundo de esquecimento e saudade, a ressuscitar personagens que há muito completaram o ciclo de sua existência, a reviver fases pela redoma sagrada dos anos acumulados.

Lá fora, a chuva continua a cair, cantando nos beirais do telhado e no silêncio da cidade...

Por longos instantes... Pensava comigo mesmo:

- De todas as árvores de minha cidade, que tanto amei na minha infância, uma se destaca pelo traço marcante da superstição e do receio que sempre me infundiu. Erguia-se ela em terreno inclinado cujo vértice terminava na tortuosa e solitária estrada que demandava o cemitério de Novo-Horizonte. O chão avermelhado que a circundava encontrava-se sempre recoberto por espessa camada de capim nativo que, com suas compridas folhas, atapetava de um imaculado verde-escuro a gleba toda.

À esquerda, o monte que dominava com seus poderosos contornos e cenário rústico daquela região, enquanto mais próximo, à direita, o campanário da velha igreja, emergindo dentre os tufos da vegetação, estabelecia o flagrante contraste do amarelo desbotado de sua antiga alvenaria com a intensa tonalidade verde das árvores circundantes.

Ao sul, bem acima da igreja, a campina se alastrava, quebrando-lhe a monótona uniformidade montículos de grama, criados ao longe pela mancha escura de um cerrado que se estendia a perder de vista.

A árvore das assombrações - como a chamavam em minha cidade - destacava-se no conjunto agreste pela tortuosidade de seu tronco, pela forma bizarra de sua copa cuja galhardia desordenada desbraçava-se em todas as direções e pelo permanente revestimento de folhas onde os raios solares jamais penetraram.

O tronco enorme e retorcido, apresentava-se sempre envolvido por grossa casca embolorada pela excessiva umidade e, em suas reentrâncias, insetos de toda a espécie e negras lagartixas encontravam o seguro refúgio. De um lado do tronco, na base de um galho que ali existira e que talvez fora, em épocas distantes, decepado pela fúria dos vendavais, formara-se profunda cavidade onde se represava a água das chuvas, permitindo proliferação de rãs.

Em dias escuros e chuvosos o trovão ribombava surdamente nos horizontes e a chuva coava-se pelos labirintos da densa camada de folhas, escorrendo pelas nodosidades da árvore, esses pequenos e feios animais iniciavam sua tremenda sinfonia de berros que se ouvia à grande distância, ecoando pela cidade.

Corriam estranhas histórias a respeito dessa árvore.

Os campeiros, que tangiam o gado bravio desde as furnas inacessíveis daquela desolada região, afirmava que viram, muitas vezes, em lindas noites de lua cheia, estranhos vultos se reunirem à sombra da árvore misteriosa. Diziam com uma seriedade que impressionava, que se tratava de fantasmas vindos através dos vestutos paredões do longíquo cemitério, atraídos pela alma de um viandante desconhecido que falecera, há muitos anos, sobre as recurvas raízes do solitário vegetal.

- Eu ouvia essas lendas, dando-lhe um cunho de absoluta autenticidade – pensava.

Acreditava plenamente nos horripilantes relatos e eles povoavam os pensamentos de Em meus pensamentos de um menino sonhador, fazendo com que seus receios pela árvore aumentassem ainda mais.

- Não obstante, eu amava a velha árvore - pensava.

Amava-a, vendo-a assim, de longe, porque ela proporcionava a fascínio incoercível dos mistérios indevassáveis. Nas noites escuras, quando o vento rugia varrendo a grimpa do monte e a vastidão das campinas distante, o pensamento dirigia-se para a árvore amedrontadora, vendo-lhe, na imaginação, a galhardia retorcida ao rude embate dos elementos em fúria. Temia que, na manhã seguinte, ela se apresentasse destruída desde as raízes pela força do vendaval impetuoso.

Mas, quando a rutilante manhã se apresentava, afugentadas que eram as nuvens da tormenta noturna, Eu sorria, satisfeito ao ver que nada lhe acontecera.

Lá estava ela, como sempre, a ostentar na limpidez do amanhecer radioso a imponência de seus contornos impressionantes.

- Lembro-me que, numa noite de lua cheia, organizamos um numeroso grupo de garotos e nos dirigimos para a porteira, pouco além da casa em que nasci. Desse lugar divisar o vasto prado onde se erguia a árvore assombrada.

Instalaram no alto da porteira, olhando atentamente a extensa e silenciosa região que se estendia pela cidade. Não foi difícil localizar ao longe o vulto escuro da árvore, porém suas formas apresentavam imprecisas sob a pálida claridade lunar. Por largo tempo quedaram imóveis, absortos em muda contemplação do cenário fascinante. O canto nostálgico dos curiangos fazia-se ouvir ao longe e era a única nota a romper o profundo silêncio que reinava.

De súbito, como que surgindo dos mais distantes recantos da cidade, vários vultos esbranquiçados e de formas não bem delineadas em virtude da distância que os separava, começaram a atravessar as alfombras enluaradas convergindo para o estranho vegetal.

Diante disso, só restava o recurso de uma desabalada fuga em direção as nossas casas.

Recordo-me bem daquela longínqua manhã de julho quando, em companhia de meus pais e meus irmãos, partimos de mudança desta hospitaleira Novo-Horizonte para capital de São Paulo.

Antes fui me despedir da velha árvore.

Sozinho, subi o alto do moirão da porteira e dessa posição olhei longamente o enorme e solitário vegetal que tanto assustava os meninos de Novo-Horizonte.

Procurava com isso fixar mais e mais em minha memória a imagem da árvore cercada de mistério, sentido, desde então, que ela constituiria, através dos anos, um marco inolvidável da minha infância e da minha terra natal.

O tempo passou. Quase quarenta anos decorrem desde o dia em que fui me despedir da velha árvore. Circunstâncias impediram-se de rever antes o meu torrão natal.

Mas, quando há poucos dias, premido pela saudade avassaladora, fui rever a terra onde nasci, procurei ansiosamente a sinistra árvore dos fantasmas.

Mas não mais a encontrei. O tempo, o mesmo tempo que banira da minha mente o encanto das superstições infantis, destruirá também o motivo das minhas longínquas e saudosas preocupações.

A árvore já não existe! E com ela desaparecem os seus fantasmas.

Lentamente o sol descamba ao acaso.

Avermelha-se o ocidente aos últimos lampejos da grande lâmpada. Depois esmaecem as tonalidades vivas.

Anoitece...

Tudo é silêncio, e a natureza queda em profunda letargia.

Sob a fronde de vetusta árvore procuro abrigo, fugindo à inclemência da soalheira terrível. Ergue-se o imponente vegetal no alto de uma colina da qual descortino magnífico e vasto panorama. A transição entre a canícula desfibradora e doce refrigério da sobra amiga, é rápida. Sinto o seu efeito e posso haurir, a plenos pulmões, o ar fresco que me proporciona profundo bem estar.

Gosto de fugir, nos intervalos que roubo às minhas constantes atividades, ao bulício da vida citadina, para encontrar no silêncio do campo e na vastidão do cenário que a natureza nos proporciona, as condições de que necessito para um pouco de descanso espiritual.

Da posição em que me encontro, espreito as dilatadas distâncias, mergulhadas nas profundas ondas da ofuscante luz solar, e recolho do cenário imenso, múltiplas imagens.

Tudo é silêncio, e a natureza queda em profunda letargia.

Um céu de bronze, onde o sol rutilante navega lentamente, atirando sobre a face enrugada da terra calcinada os seus raios de fogo. Cobre a paisagem, envolvendo tudo num quadro de lassidão e inércia acabrunhadoras. Até os pássaros, cantores suaves dos campos ensolarados, desaparecem no recesso da mata escura, cuja oria descortino ao longe, margeando o curso sinuoso do rio. A infinita sucessão de colinas perde-se na distância, como réstea azulada na fímbria do horizonte dilatado. Penso nas primitivas eras do nosso globo, quando a natureza, em convulsões ciclópicas, enrugando a superfície da Terra e criando os seus habitantes, procurava, através de milênios, estabelecer as condições indispensáveis à sua própria existência. E, então, mais do que nunca, tenho a sensação da pequenez do homem ante a incomensurável grandeza do Criador.

Lentamente o sol descamba para ao acaso.

Avermelha-se o ocidente aos últimos lampejos da grande lâmpada. Depois esmaecem as tonalidades vivas. Nos campos solitários, o curiango rompe o hierático silêncio com seu canto nostálgico.

Anoitece...

(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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domingo, 5 de setembro de 2010

Ética em pane !

(*) Nelson Valente

Depois das denúncias de corrupção é um erro levantar a bandeira da ética e da moralidade. A impressão que fica é de uma quadrilha desorganizada e atrapalhada:

 - "Estão verdes, dizia a raposa, sobre as uvas que não podia alcançar...". O Brasil é o país da corrupção e dos indignados. É indignado que não acaba mais!

Desconfiemos dos indignados; são pessoas habitualmente mais preocupadas consigo mesma, uma vez que o indignado, ao dizê-lo, afirma que é digno e o outro, uma porcaria. Indignados existem em todo lugar, na educação, na política, no empresariado, na sociedade, na imprensa narcisista.

Nesse sentido, a queda de um partido que se comportou o tempo todo como um termômetro moral, uma bússola moral, foi atacado exatamente nesse ponto e se transformou em biruta ao sabor das negociatas, coloca o País frente a duas possibilidades: Quando o ex-ministro da Justiça Tarso Genro assumiu interinamente a presidência do partido e seu primeiro discurso é sobre a faxina moral, é evidente que a sociedade espera que os corruptos, enganadores, manipuladores, que são muitos, sejam apenados conforme a lei; no entanto, ideologizar isso e novamente propor à Nação um projeto de pureza moral, é novamente criar ilusão.

É do tipo "não aprendi nada", que diz à população: vocês tinham razão de esperar muito do PT porque nós somos a reserva moral da Nação. Houve um "probleminha" entre nós, mas continuamos sendo a reserva moral da Nação. Essa "cegueira pessoal" pode ser solução imediata para o partido, mas a médio e longo prazo não funciona. Não descarta a possibilidade de o grupo de petista que assumiu a condução do partido nos últimos anos tenha chegado ao poder já com más intenções (mas exclui dessa turma o presidente da República), não sendo apenas resultado da corrupção do poder.

O poder corrompe os fracos. O remendo do poder é a corrupção. O povo brasileiro foi enganado. O Brasil encontra-se frente a um desafio maior do que fazer uma faxina moral como propunha Tarso Genro e de novo um gaúcho se apresentava como bastião da moralidade.

Antes era um ex-guerrilheiro e até mesmo o presidente da República, que construiu recentemente uma frase questionável lógica. Lula havia dito, e sempre repete, que é filho de analfabetos, sofreu muito na infância, percorreu uma trajetória socialmente baixa até alcançar a Presidência da República, "logo" não há no Brasil pessoa mais ética do que ele.

Esse "logo" não liga nada a nada, a frase de Lula foi de "uma infelicidade absoluta".

Não adianta o PT se refazer. É preciso encontrar a "síndrome" causadora de atos de corrupção e de outras mazelas individualizadas, que não adianta tratar isoladamente.

Não é tarefa para uma só pessoa, mas para a sociedade e especialmente a comunidade científica.

Estamos perdendo uma imensa chance de colaborar com o Brasil e com o mundo.

Erros e falhas todas as pessoas cometem.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem um legado a ser defendido.

A ética está em pane no ninho tucano, como também dentro do Partido dos Trabalhadores, mas seria ignorância, arrogância, falta de cultura e refinamento, considerar que foram 8 (oito) anos sem aspectos positivos no governo.

Mas pelo menos as virtudes da sua gestão deveriam ter sido defendidas.

Luis Inácio Lula da Silva é sem dúvida nenhuma o melhor presidente da República, no período republicano  e foi graças ao legado de Fernando Henrique Cardoso.

Não se pode esperar que um presidente da República, da estirpe e competência de Fernando Henrique Cardoso, vá para os livros, numa nota de rodapé.

 O que de uma vaca não se pergunta sobre a própria ação; ela é garantida biologicamente. Uma vaca é sempre uma vaca. Mas o homem nunca é o mesmo homem.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Decreto Ecológico


(*) Nelson Valente

Em 1961, o Presidente da República tinha uma certa competência legislativa exercida através de Decretos, graças à Constituição de 1946. Saulo Ramos incentivou muito Jânio a usar de tal competência, inclusive cometendo algumas inconstitucionalidades, até hoje não contestadas.

Não era difícil provocar o entusiasmo de Jânio que, excessivamente inteligente, captava rapidamente idéias novas, sobretudo se fosse de interesse público. Assim, Jânio e Saulo, numa conversa a sós, sem palpiteiros, discutiram longamente um decreto em defesa da ecologia e do meio ambiente, assunto desconhecido e misterioso, inclusive no exterior.

Os dois, porém e atrevidamente, soltaram a imaginação e o pensamento criativo, concluindo que era preciso regulamentar a defesa do meio ambiente. - Redija hoje, que eu assino amanhã! Hoje, sem falta, mas inclua tudo o que discutimos - Mas hoje é sábado e amanhã é domingo. É preciso colher a assinatura do Ministro da Agricultura para referendar o decreto. E talvez de outros Ministros. - Não interessa. Quero o decreto amanhã. Talvez seja o domingo o dia em que os brasileiros menos estragam a natureza. Um bom dia para assiná-lo.

Claro que somente recebeu a minuta na segunda-feira e ele próprio, com estremo entusiasmo, redigiu muitos dispositivos.

Editou-se o Decreto n° 50.877, em 29 de julho de 1961, um dos primeiros atos normativos, em favor do meio ambiente, editados no mundo!

Para se ter a idéia do pioneirismo, a lei de proteção às águas, na Itália, foi editada muito depois, é de 1976.

No Canadá, a norma equivalente é de 1970 e na Suécia, é de 1969. Na Bélgica e Holanda, o direito positivo passa a editar normas ambientais, sobretudo relativas à defesa das águas, na década de 1980, embora a Holanda tenha tratado, em lei, da poluição das águas em 1969 e a Bélgica em 1971.

A França, que costuma se antecipar às legislações européias,surgiu com o regramento ambiental somente em 1971 - Lei 76-633, de 19 de julho.

Na Alemanha, a lei federal, que apenas sugere precauções para evitar efeitos prejudiciais ao ambiente, é datada de 15 de março de 1974, aperfeiçoada pela lei de proteção às águas em 1976. No Japão, a disciplina legal para a punição dos crimes "relativos à poluição ambiental com efeitos adversos sobre a saúde das pessoas" é de 1970.

Nos Estados Unidos, as normas de proteção às águas datam de 1972 e, na Suiça, de 1971.

Na Argélia, a legislação ambiental é de 1983, quando a lei 83-03, cuida da poluição das águas, proibindo o "lançamento de substâncias sólidas, líquidas ou gasosas, agentes patogênicos, em quantidade e em concentração de toxidade suscetível de causar agressão à saúde pública, à fauna e à flora ou prejudicar o desenvolvimento econômico" (art. 99).

Como se vê, o texto reproduz, vinte e dois anos depois, a norma brasileira, editada por Jânio Quadros em 1961.

Na Inglaterra, centro de tantos movimentos ecologistas, a lei de Controle da Poluição surgiu somente em 1974 e cuida, sobretudo, de descarga e efluentes industriais nos esgotos públicos (art. 43), embora passe pela poluição atmosférica (art. 75) e pela poluição acústica (art. 57 a 74).

Impõe-se registrar, pela importância e pela larga previsão, o Decreto n° 50.877, de 29 de julho de 1961, do Presidente Jânio Quadros, dispondo sobre o lançamento de resíduos tóxicos ou oleosos nas águas interiores ou litorâneas.

O ato normativo de Jânio Quadros proibiu terminantemente a limpeza de motores de navios no mar territorial brasileiro e foi mais longe: regulou o lançamento "às águas de resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, in natura ou depois de tratados", permitindo-os somente quando "essa operação não implique na POLUIÇÃO das águas receptoras".

Neste decreto, a palavra "poluição" ingressou no direito positivo brasileiro com o sentido que tem hoje, diverso ou mais ampliado daquele adotado pelo verbo "poluir" do nosso Código Penal.

Está definida pela própria norma em seu artigo 3°, verbis: "Para os efeitos deste Decreto, considera-se poluição qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática."

Ironia do destino: quase trinta anos depois, Jânio Quadros era prefeito de São Paulo e Saulo Ramos Ministro da Justiça.

Um dia Saulo visitou o ex-presidente. Entre muitos assuntos, lembraram do decreto ecológico. E lamentaram: se aquele decreto houvesse sido respeitado e aplicado, São Paulo não teria perdido os rios Pinheiros e Tietê.

(*) é professor universitário, jornalista, escritor e amigo inestimável.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jânio Quadros: educado, mas prevenido!

   Em campanha eleitoral, J.Quadros, visita o Palácio e encontra o
presidente do STF.
- Nesta cadeira será diplomado um dos três candidatos à Presidência -
disse-lhe o ministro Nelson Hungria.
- E o senhor ainda tem dúvida sobre qual será ele? - Respondeu-lhe
Jânio Quadros.
O fotógrafo atento ao diálogo, convida J.Quadros para sentar-se na
cadeira e Quadros recusou-se  a fazê- lo, porque o lugar lhe merecia
respeito e além do mais, ele não desejava antecipar-se às urnas.
- Dá azar ! Redarguiu Jânio Quadros, batendo na mesa de madeira ao seu lado.

Nelson Valente

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Oposição só Divulga o Lado Negativo da Candidata Dilma

Conto com sua ajuda!!!!!!!!

Tenho recebido e-mails de cunho político e a grande maioria é contra a Dilma .

A oposição só divulga o lado negativo da candidata, um verdadeiro horror... !!!

Assim, para agir de forma democrática, justa e contribuir com o debate devemos conhecer e divulgar o que Dilma já deu e contribuiu para o Brasil.

Assim se você souber ou conhecer alguém que saiba......por favor nos informe :

- Fotos dela lutando pela democracia (Tem que existir! Por exemplo: uma foto da Dilma nas Diretas Já!);

- Uma só foto da Dilma em uma passeata pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita!; ( será que não tem ? )

- Uma foto da Dilma em algum evento pela Constituinte Livre e Soberana!; - Uma foto da Dilma no Impeachment do Collor.

- Uma foto ou vídeo, que mostre ela indignada com o Mensalão ou com a história do dinheiro nas cuecas, nas malas, nas meias, etc.;

- Uma foto ou vídeo de algum trabalho social de que ela já tenha participado: ( Ela nunca participou de nada ? );

- Uma foto ou vídeo em que ela se mostre autentica e naturalmente simpática (deve haver!!!);

- Uma foto dela com o Marido / Ex Marido ou Pai da Filha (Tem que existir ! ) Afinal de contas se ela for eleita queremos saber quem será o "Primeiro Damo" do Brasil) até para saber..."COM QUEM ESTAMOS FALANDO ";

Não podemos ter uma presidenta sobre a qual não sabemos absolutamente nada, a não ser pela boca do Presidente . Chega de boatos, de disse-me-disse".

Queremos fotos! Notícias de jornal! Documentos históricos!

Por Favor........Repassem e vamos ajudar na Campanha dela... Vamos acabar com o Apagão Biográfico da Dilma... Não podemos eleger uma candidata sem passado.

Abraços

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sábado, 28 de agosto de 2010

A vida de Jânio Quadros será tema de minissérie


Depois da minissérie da Globo sobre a vida Juscelino Kubitschek e do filme sobre a vida do presidente Lula, agora é a vez de Jânio Quadros, um dos mais controvertidos líderes nacionais, ter a sua vida esmiuçada no cinema e na TV. Com uma previsão de orçamento de R$12,8 milhões, o pesquisador e escritor Nelson Valente e o ator e diretor Paulo Figueiredo estão trabalhando nos capítulos de uma minissérie, além de um roteiro para o cinema.

Tanto a série quanto o filme focarão principalmente o episódio - até hoje controverso - da renúncia. Segundo Valente, que trabalhou com Jânio e escreveu 12 livros sobre a vida do político, existem mais de 20 versões para o ato, mas ninguém sabe a verdadeira razão. O pesquisador promete revelar a correta na minissérie, que terá 12 capítulos e, se tudo der certo, começará a ser gravada em agosto. "Jânio não gostava de ser contrariado e quando isso acontecia, ameaçava renunciar ", diz.

Já há nomes cotados para os papéis. Alguns deles, no entanto, dependerão da aprovação da emissora de TV que produzirá a série. No páreo, segundo o biógrafo, estão a Record e a Globo. Mas ele garante que as negociações com a emissora da Barra Funda (zona oeste de São Paulo) são as que estão mais avançadas.

Na Globo, o interesse teria partido do diretor Guel Arraes, filho do político Miguel Arraes, que, em 1961, após a renúncia de Jânio, defendeu a posse do vice-presidente João Goulart, não desejada pelos militares.

 O próprio Nelson é o mais  cotado para interpretar Jânio. Por trabalhar muito próximo ao presidente, ele incorporou os tiques e o modo de falar do político. Ele, inclusive, gravou, na mensagem da secretária eletrônica do seu celular, um recado imitando a voz de Jânio Quadros. Mas Nelson, que também é ator, diz que sua maior preocupação é de escolher alguém que não faça um presidente caricato. "Ele (Jânio) trabalhava a sua imagem no fio da navalha, entre o inusitado e o bonachão."

Paulo concorda e, por isso, tem pressa para definir o Jânio da ficção. "A escolha do elenco e do diretor praticamente ficam engessadas na escolha da emissora." Para o papel principal, são cogitados também Paulo Betti, que, em JK, interpretou José Maria Alkmin; além de Marcelo Anthony e Rodrigo Santoro.

Já para interpretar Che Guevara, condecorado pelo presidente na Guerra Fria, está cotado Thiago Lacerda, e para fazer o Senador Afonso Arinos, o ator Carlos Vereza. Saulo Ramos, que foi oficial de gabinete de Jânio e ministro da Justiça no governo de José Sarney, será o consultor do filme e da minissérie. Na direção, o nome mais falado é Alexandre Avancini. "Existem várias versões para a renúncia, a que eu mais gosto é a de que Jânio desistiu da presidência porque não gostava da comida do Palácio", brinca Nelson.

O escritor, no entanto, adiantou para a reportagem o que será mostrado na série. "A carta foi escrita cinco dias antes da entrega e datada com o dia 25 de agosto, Dia do Soldado. Ele não queria renunciar. Queria apenas chantagear o Congresso. A carta foi entregue ao ministro da Justiça Oscar Pedroso Horta, na casa do empresário José Ermírio de Moraes. Auro Soares de Moura Andrade recebeu uma fotocópia do documento, que foi lido no Congresso pelo deputado Gustavo Capanema", explica Nelson. 

"Mostraremos que as 'forças terríveis" eram a igreja católica, os americanos e o Congresso Nacional." Passagens curiosas serão mostradas e mitos folclóricos, desfeitos, como as antológicas frases: "Fi-lo porque qui-lo", atribuída a ele para justificar a renuncia(na realidade, a frase correta foi 'Fi-lo porque quis', segundo Nelson); e "Bebo porque é líquido, se fosse sólido, comê-lo-ia", sobre o porque tomou bebida alcoólica durante a candidatura ao governo do Estado. O autor reforça que Jânio tinha obsessão por renunciar e, por várias vezes, nos cargos de prefeito e governador de São Paulo, escreveu cartas de renúncia. Nelson também não faz suspense sobre a última frase da minissérie. Será Jânio amaldiçoando a capital federal. "Brasília, cidade maldita. Nunca mais porei os pés aqui. Este Congresso não representa o povo brasileiro", teria dito.

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Vestibular gera complicações variadas


(*) Nelson Valente 

              Não é só no Brasil que a experiência do vestibular gera complicações variadas. Ele representa uma verdadeira contradição. É feito para servir de filtro aos concluintes do ensino médio. Se esses alunos não conseguem êxito no concurso de habilitação, com os conhecimentos amealhados nas escolas, é a prova concreta de que o ensino que lhes foi ministrado era de baixo nível. Ou, como preferem outros, a prova de que o vestibular propõe questões que nada têm a ver com o nível do que é ministrado nas escolas regulares, daí a necessidade dos abomináveis "cursinhos".

              Mas isso também acontece no Japão. As crianças são pressionadas desde cedo, para uma competição desenfreada. As aulas particulares são estimuladas desde os seis anos de idade, o que é um exagero. Tudo porque os pais entendem ser essencial entrar numa universidade de prestígio, pois é isso que leva à segurança de um bom emprego numa grande empresa, num banco ou num órgão governamental. O futuro sorrirá para os mais competentes.

              Em consequência, cresce o número dos suicídios entre os jovens. Restringe-se a criatividade e políticos consagrados pedem que se reforme o ensino, para que se tenha "um povo bondoso, patriótico e ao mesmo tempo internacionalista, que servirá adequadamente o país".

              A violência vivida nas escolas japonesas, além da concorrência exagerada, poderá ter raízes na perda dos valores tradicionais, como a obediência e respeito a pais e professores. A rigidez do currículo levou a isso, sendo necessária uma adaptação em regra aos novos tempos, até mesmo para enfrentar os grandes impasses científicos e tecnológicos.

              O Japão questiona, pois, o seu modelo educacional. Enquanto isso, no Brasil, os Ministros da Educação saem felizes do Governo porque deram merenda às crianças carentes.

              Há um natural interesse em modificar a sistemática dos exames de habilitação no Brasil. Trata-se de um modelo cansado, velho, que se prestou também para enriquecer muitos falsos educadores com a proliferação dos condenáveis cursinhos. Mas é preciso trocar de modelo por algo que venha efetivamente a funcionar, sendo notável a idéia de valorizar a educação média. Os exames parcelados, a cada ano, somando resultados para uma avaliação final parece-nos o que de melhor foi sugerido, dividindo com mais inteligência o esforço dos alunos, além de obrigar as escolas a uma distribuição mais adequada da carga de conhecimentos a ser exigida dos que a ela têm acesso. O assunto é muito rico, instigante, e ainda será objeto de muita discussão pelas "autoridades educacionais" do país.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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FALSA TITULARIDADE ACADÊMICA

(*)  Hélio Duque

Títulos acadêmicos de graduação e pós-graduação, emitidos por universidades credenciadas pelo nível de excelência dos seus docentes e pesquisadores, tem valor de quase sacralidade. A graduação em diferentes áreas do conhecimento representa a qualificação universitária no campo da atividade profissional que irá se inserir produtivamente no futuro da sociedade. A pós-graduação é o grau máximo do ensino superior, para aqueles que concluíram o curso de graduação. Objetiva formar e aperfeiçoar pessoal docente para o ensino superior. Igualmente proporcionar o treinamento de profissionais de alto padrão, vocacionados para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas. Não se pode e não se deve abusar da credulidade alheia, enganando, burlando a sociedade pela utilização mistificadora de títulos acadêmicos de pós-graduação.

A revista "Piauí", edição de julho, desconstruiu mirabolante história envolvendo títulos de pós-graduação da ministra Dilma Rousseff, obtidos na Universidade Estadual de Campinas. De acordo com a publicação, a Unicamp atestou a não existência de mestrado e doutorado concluído pela ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República. Ela é economista graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O seu título acadêmico preenche os requisitos unicamente de graduação.

Nos últimos anos, em sites do governo federal veiculou-se uma realidade diferente e penetrantemente agressora da verdade. Registramos: 1) site oficial da Casa Civil informava que "a ministra Dilma Rousseff é mestre em teoria econômica pela Universidade de Campinas e doutoranda em economia monetária e financeira pela mesma universidade". 2) no site Plataforma Lattes, do CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o seu currículo afirma: "mestrado em Ciência Econômica pela Universidade de Campinas, obtido em 1979 e doutorado em Ciências Sociais, 1998, pela mesma universidade." 3) O site da Petrobrás, onde a ministra é presidente do Conselho de Administração, atesta ser ela "mestre em teoria econômica, 1979, e atualmente é doutoranda em economia monetária e financeira pela Universidade Estadual de Campinas."

O programa de aceleração do currículo, o Pac acadêmico, da ministra chefe da Casa Civil não resistiu à luz do sol. Dilma Rousseff foi aluna da Unicamp do curso de mestrado, mas não o concluiu. Em 1998, matriculou-se no doutorado, abandonado em 2004 quando acabou o prazo para a integralização dos créditos. No curso de mestrado, segundo o coordenador de pós-graduação da universidade, Carlos Antonio Brandão a ministra cumpriu todos os créditos exigidos pelo programa, mas não concluiu a dissertação final que lhe conferiria o mestrado.

Certamente a ministra na sua "boa fé", não sabia que os sites da Casa Civil, da Petrobrás e do CNPq, lhe atribuíam notória especialização pós-graduada em áreas fundamentais da economia brasileira. Tanto assim que logo que a revista chegou às bancas, aqueles sites, começando pelo da Presidência da República, foram rápidos em apagar os dados inverídicos, substituindo pela expressão "foi aluna" dos cursos que lhe conferiam uma titularidade acadêmica fictícia.

Em tempo: o site do CNPq, chamado Plataforma Lattes, alerta que fornecer informação inidônea é crime passível de punição qualificado de falsidade ideológica. O termo de adesão se fixa nos artigos 297 e 299 do Código Penal. Exige: "a) fornecer informações verdadeiras e exatas; b) aceitar que o usuário é o único responsável por toda e qualquer informação cadastrada em seu currículo, estando sujeito às consequências, administrativas e legais, decorrentes de declarações falsas ou inexatas que vierem a cansar prejuízos do CNPq, à administração pública ou a terceiros."

O novo site da Casa Civil registra: "Dilma Vana Rousseff, ministra-chefe, é economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi aluna de mestrado e doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Campinas, onde concluiu os respectivos créditos." Uma meia verdade. A ministra concluiu os créditos na área de mestrado, não sendo verdadeira a informação em relação do doutorado.


Lendo e relendo o livro do Professor Nélson Valente: Jânio da Silva Quadros: crônica de uma renúncia anunciada, deparo-me com uma frase do ex-presidente J.Quadros:

- " Se você quer ser político e desonesto, seja honesto sem ser político".


(*)  é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

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