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Maura de Senna Pereira, uma mulher que revolucionou o seu tempo.

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Giba Net: Maura de Senna Pereira, uma mulher que revolucionou o seu tempo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Maura de Senna Pereira, uma mulher que revolucionou o seu tempo.


Maura de Senna Pereira: primeira jornalista em Santa Catarina.

O trabalho conta a trajetória profissional e pessoal da primeira jornalista de que se têm registros em Santa Catarina.

Através da pesquisa em jornais do início do século passado e consulta a especialistas, o texto revela o nome da mulher precursora no jornalismo do Estado: Maura de Senna Pereira.

Ela iniciou a carreira em Florianópolis, escrevendo especialmente, artigos sobre as qualidades e conquistas femininas e a busca dos direitos da mulher.

Dirigiu colunas literárias e representou Santa Catarina em diversas situações. Maura defendeu também causas ambientais e escreveu uma série de livros, principalmente de poesias.

Foi membro da Academia Catarinense de Letras e, ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, retornando depois disso poucas vezes à capital catarinense.

Tudo começou graças a um empurrãozinho de José Acrísio, redator, em 1923, de um dos mais importantes jornais da capital catarinense.

Ele desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis. A resposta ao desafio chegou à redação de O Elegante poucos dias depois, e a responsável foi Maura de Senna Pereira,
pseudônimo: Alba Lygia. Em pouco tempo, o nome verdadeiro foi descoberto, e Santa Catarina conhecia aquela que viria a ser a primeira jornalista do Estado de fato.

Uma mulher à frente do seu tempo, assim foi Maura de Senna Pereira.

Ela nasceu em março de 1904, aprendeu a ler antes mesmo de freqüentar a escola; e aos 19 anos, com a morte do pai e de um de seus irmãos, teve que trabalhar para sustentar a família de 10 pessoas. Foi nesse
momento que Maura assumiu sua primeira profissão, a de professora.

Mas essa ocupação seria apenas para garantir a renda da família porque desde o primeiro artigo para O Elegante, Maura não deixaria mais de escrever.

O roteiro pela imprensa catarinense Presbiteriana, a jornalista exerce, em 1924, a presidência da Sociedade Auxiliadora dos Moços, e escreve para o jornal O Atalaia, ambos ligados à Igreja Católica. Sua primeira participação expressiva na imprensa será, no entanto, no mesmo O Elegante de seu artigo precursor.

Ela retoma sua vocação para o pioneirismo e escreve em 31 de março de 1925 aquele que viria a ser o primeiro artigo feminista publicado em Santa Catarina: "Volvamos nossas vistas para o porvir".

Ele será parte de uma série publicada na seção "Feminismo", da qual Maura tornou-se responsável.

"Nesses últimos tempos, com especialidade, muito se há pregado uma profissão para a mulher. Que ela se não dedique exclusivamente - á aprendizagem de encargos domésticos e prendas essencialmente feminis.

E o que é mais: que não viva unicamente a cuidar de si, para aparecer bem, bem mascarada, á força de rouge, carmin e crayon, vivendo a vida material das futilidades e do coquetismo, das mentiras de salão,
cuidando das modas e de flirt, em busca do marido rico, de invejável posição social, a quem levianamente entregará o coração e a vida, sem a menor reflexão, quasi sempre sem amor, e que lhe assegurará a mesma
existência cômmoda e chique. (...)"

No próximo ano, ela passa a escrever a coluna "À la garçonne", do jornal florianopolitano Folha Nova.

"Nela, Maura traçava perfis de senhoras e senhoritas da elite catarinense, não dentro dos padrões da época, mas mostrando sua importância pelas atividades que desenvolvem".

Porém, sua participação mais duradoura na imprensa de Florianópolis da época, será no jornal República, onde escreveria por sete anos.

Em maio de 1931, seu nome apareceria no expediente do jornal entre os principais redatores. A partir de então, Maura tornou-se responsável pela página "Domingo Literário", publicada semanalmente.

Na seção, seu nome figura como diretora geral, sempre no topo da página, emoldurada e decorada. Em um período em que a comunicação entre Florianópolis e os outros centros culturais é escassa, Maura traz para a capital catarinense poemas e artigos de autores de outros estados brasileiros, e até mesmo, de fora do país.

Lauro Junkes, escritor e presidente da Academia Catarinense de Letras - da qual Maura fez parte graças a seu jornalismo engajado, e presença intelectual marcante na vida social de Florianópolis - diz que a maior
contribuição da escritora foi conseguir a projeção da mulher em uma atividade predominantemente masculina.

"Maura foi uma mulher de espírito avançado em tudo", completa Junkes.

As bandeiras As principais lutas de Maura eram relacionadas às mulheres.

Ela defendeu incessantemente o direito da mulher ocupar novos espaços na sociedade - de não ficarem restritas à esfera do lar -, o direito ao divórcio e ao voto feminino. "Para Maura a educação seria o meio das
mulheres conseguirem ficar em posição de igualdade com os homens".

No que diz respeito ao divórcio, a jornalista sentiu na pele o preconceito da sociedade da época. Aos 27 anos, casou-se pela primeira vez e foi morar no Rio Grande do Sul, terra-natal do seu então marido.
Frustrada, ela rompe o casamento e volta para Florianópolis.

Não permanece na Ilha nem por um ano, não havia espaço para mulheres separadas, muito menos no meio público.

Um exemplo de mulher para Maura, e tema recorrente de seus artigos, foi Anita Garibaldi. A jornalista destaca, além do heroísmo de Anita; a mulher que não se conforma com os papéis já estabelecidos pela
sociedade e assume novas posturas.

Apesar de ressaltar essas qualidades, ela faz questão de citar os atributos da heroína ditos femininos, já que eram esses os respeitados pela sociedade.

"Pode-se dizer que Maura foi uma feminista possível para a época, porque uma pessoa, por mais que inove, nunca está totalmente desligada de seu contexto", explica Junkes.

Além de defender causas feministas que somente mais tarde as militantes começariam a reivindicar, a jornalista também prenunciou uma consciência ecológica que surgiu apenas nas últimas décadas do século passado.

Rio de Janeiro, a terra adotada Depois da separação do primeiro marido, Maura vai morar no Rio de
Janeiro, cidade onde viverá até o fim da vida e encontrará - como ela mesma descreve em poemas - o verdadeiro amor. Maura conhece o escritor José Coelho de Almeida Cousin, poeta mineiro de quem já havia publicado textos na seção "Domingo Literário", do jornal República, de Florianópolis.

Em 1942, Maura passa a viver com o escritor e desperta mais fortemente para a poesia. A partir de então, ela torna-se novamente pioneira: passa a abordar o aspecto sexual das mulheres em seus textos.

Na imprensa carioca, Maura trabalhou em diversos jornais e revistas.

Entre eles, A Noite, A Manhã e Vida. A impossibilidade de ter filhos fez com que se interessasse por alguns temas relacionados ao assunto.

Em A Noite, por exemplo, a jornalista publica várias reportagens sobre o parto sem dor, realizadas na maternidade Clara Basbaum. Em 1957, a série torna-se livro e um fenômeno de vendas na Feira de Livros
realizada naquele ano, no Rio de Janeiro.

No jornal A Manhã, Maura escreve ainda inúmeras reportagens sobre fecundidade, esterilidade e terapêutica psiquiátrica.

No entanto, sua colaboração mais duradoura na imprensa carioca seria no jornal Gazeta de Notícias.

Primeiro, como criadora e responsável pelo suplemento "Mulher" que inicia em 1950. Mais tarde, como editora das colunas "Casa de Boneca" e "Nós e o Mundo".

Depois da mudança e união com Cousin, Maura retorna poucas vezes à Florianópolis, muitas delas para participar de eventos públicos e representar, como no período em que morou na sua terra-natal, a mulher
catarinense.

Maura de Senna Pereira a mulher que abriu portas para as novas jornalistas e questionou valores enraizados na sociedade, morre no Rio de Janeiro, aos 88 anos, deixando saudades ao mundo jornalístico e literário.

Jornalista e poetisa A veia poética acompanhou Maura de Senna Pereira em toda sua vida.

É reconhecida por grandes escritores e está expressa em diversos livros.

Carlos Drummond de Andrade avaliou sua poesia como de "alta meditação existencial". Jorge Amado classificou seus versos como "densos e fortes".

Seu primeiro livro foi Cântaro de Ternura, publicado em 1931; seguido de Poemas do Meio-Dia de 1949, e Círculo Sexto (1959). País de Rosamor, de 1962, é considerado pelos críticos, uma de suas principais
obras e representa uma síntese do pensamento da escritora.

Nele, Maura propõe um novo mundo, de uma sociedade igualitária, socialmente justa e em harmonia com a natureza.

Em 1980, a autora escreve Despoemas, um livro de apenas 23 páginas; seguido de Cantiga de Amiga, editado em 1981. Poemas-Estórias, de 1984, é um misto de poesia, conto, fábula narrativa e fábula poética.

Seus últimos livros -7 Poemas de Amor e Busco a Palavra - foram publicados em 1985, sete anos antes de sua morte.

Parabéns!
Como sobrinha-neta sinto-me orgulhosa por ver que o trabalho dela continua através da admiração e do estudo (tão fiel à realidade) de pessoas como o Nélson Valente.

Magda

Enviado por Magda em 16. Março 2010 - 22:05.

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2 Comentários:

Às 9 de setembro de 2010 02:00 , Blogger Dú Pirollo disse...

Meu caro amigo Giba, boa noite!!!
Muito louvável a iniciativa do amigo Nelson Valente!
Pessoas como a jornalista Maura de Senna Pereira devem ser sempre lembradas, são sempre grandes exemplos de de muita luta, empreendimento e vitória... são marcos importantes na luta da mulher para conseguir o seu espaço.
Parabéns pela postagem do excelente texto!
Grande abraço e muita paz!!!

 
Às 10 de setembro de 2010 09:35 , Anonymous Rose disse...

Parabéns mais uma vez Nelson e obrigada amigo Giba por postar informações que são preciosidades, abraço.
Complemento com a obra de Maura de Senna Pereira:
"O PÃO, A ROSA E A PAZ"


AMOR"
"Em verdade te digo que não foi naquela hora
que te pertenci:
quando me tomaste nos teus braços poderosos
e me tiveste sob teus beijos e tua respiração.
Em verdade te digo que não foi naquela hora
mas quando, diante do teu, surgiu meu espírito livre e novo

de rebento inquieto deste século
e descobrimos todas as comunhões das nossas almas.
Quando conheceste as minhas derrotas
e disseste que eram triunfos.
Quando viste pulsar meu coração nu
e o festejaste.
Quando soubeste que nem sempre
os teus pensamentos são os meus pensamentos
nem os teus caminhos são os meus caminhos.

Mas o amor brilhou como nunca em tua face
e me surpreendeste coma torrente de palavras
de que eu tinha sede
desde a minha primeira hora consciente.
Foi quando te pertenci".

 

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