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Hakani - Enterrada Viva

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Giba Net: Hakani - Enterrada Viva

terça-feira, 17 de março de 2009

Hakani - Enterrada Viva



Vivemos em um país onde a diversidade cultural vai muito além daquilo que conhecemos. Com dimensões continentais, o Brasil tem tendencias e costumes tão variados quanto sua biodiversidade.

Para ilustrar aspectos que geralmente passam desapercebidos pela maioria da população, hoje vou abordar um tema que com certeza é pouco conhecido da maioria dos brasileiros.
Trata-se da cultura da tribo da índia Hakani, que foi enterrada viva, pois seu povo acreditava que ela não tinha alma.

Este acontecimento se passa na Amazônia, as margens do rio Purus, onde centenas de crianças são destinadas a morrer a cada ano entre os mais de 200 povos indígenas brasileiros. Deficiência física ou mental, ser gêmeo ou trigêmeo, nascer de uma relação extra-conjugal - todas essas são consideradas razões válidas para se tirar a vida e de uma criança.

Algumas ONG's tentam conscientizar os membros das tribos que este tipo de ritual está longe de ser o correto, salvam vidas de crianças e fazem campanhas de adoção. Enquanto isso o nosso governo federal representado neste caso pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), estuda qual instrumento jurídico vai utilizar para impedir, na justiça, a divulgação do filme Hakani pela internet e emissoras de televisão brasileiras e coibir várias ONG's de exercer o seu trabalho, pois para os especialistas do governo, mais vale preservar a integra da cultura indígena do que preservar a vida humana.

Vale lembrar que a FUNAI é a tutora legal das centenas de índios que por amargarem os problemas da pobreza se entregam ao alcoolismo, drogas, suicídio, e também é protetora legal dos que estão sendo executados por proprietários rurais, que exterminam índios para lhes roubar as terras, ou seja, a FUNAI mostra que é a verdadeira sumidade em competência e bom censo.

Voltando ao caso de Hakani. A história desta índia virou um vídeo documentário que conta sua aventura pela sobrevivência e ilustra não só a sua, mas a de muitos outros que passam por este mesmo ritual, porém nem todos tem a mesma chance de sobrevivência de Hakani.

sinopse:


“Ela foi enterrada viva porque seu povo achava que ela não tinha alma. Foi desenterrada por seu irmão no último momento. Depois disso, foi
obrigada a viver banida de sua tribo por três longos anos até que a
enfermidade e a rejeição a levaram mais uma vez para à beira da
morte…Esta é a história de Hakani, uma das centenas de crianças
destinadas a morrer a cada ano entre os mais de 200 povos indígenas
brasileiros. Deficiência física ou mental, ser gêmeo ou trigêmeo, nascer
de uma relação extra-conjugal - todas essas são consideradas razões
válidas para se tirar a vida e de uma criança.Um número crescente de
indígenas estão se levantando para combater essa prática. Mas quando
eles procuram ajuda de algumas autoridades brasileiras, eles ouvem que
as leis nacionais e internacionais não se aplicam às suas crianças, e que preservar a cultura é mais importante que preservar vidas individuais. Essas atitudes vão claramente contra a Constituição Brasileira e contra a
legislação internacional, que declaram que os direitos da criança jamais podem ser sacrificados pelo bem do grupo.Apresentando sobreviventes do infanticídio, assim como aqueles que os resgataram, Hakani é um documentário dramático que conta a história verdadeira da jornada de uma menina em busca da liberdade e a luta de um povo para encontrar uma voz – uma voz pela vida.”

O filme foi produzido pela ONG Atini - palavra que significa voz pela vida. A Funai admite acionar a Polícia Federal para investigar a legalidade da realização do trabalho por considerar que a sociedade civil não deve saber da verdade sobre certos aspectos da cultura indígena e também entender que o homem branco não deve intervir na cultura indígena. A ATINI apóia famílias e crianças indígenas que precisam residir fora da aldeia para tratamento médico ou por outras razões.

Em Brasília as coisas estão se movimentando também. A Câmara analisa a Proposta de Emenda Constitucional 303/08, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que condiciona o respeito aos direitos indígenas de organização social, costumes, línguas, crenças e tradições ao respeito à vida. De acordo com o autor, a intenção é inibir a prática de infanticídio de ordem étnico-cultural, seja em caso de aborto seja em caso de homicídios de recém-nascidos.

Em suas palavras:



"Fazer respeitar o direito à vida humana entre os indígenas não constitui desrespeito ou afronta a sua cultura, mas, pelo contrário, configura respeito a sua particularidade cultural no âmbito da sociedade brasileira, a qual, por meio da Carta Constitucional de 1988, considera inviolável o direito à vida de todos os brasileiros, inclusive os indígenas, e estrangeiros".


No entendimento do deputado, ao não reforçar o respeito ao direito à vida no artigo 231, que trata dos direitos indígenas, a Constituição Federal deixa entender que as práticas de homicídio em contexto étnico-cultural específico, tais como o infanticídio, são aceitas pelo ordenamento constitucional.

E nós, caro leitor, não podemos esquecer que apesar de se tratar de cultura indígena, que é muito mais velha que nossa constituição, os índios que estão em território brasileiro, são considerados brasileiros e por este motivo são cobertos e assistidos por nossa constituição fazendo com que estes tenham que respeita-la, assim como nós também a temos, ou seja, os índios tem os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão em território nacional.

Uma das formas de ajudar estas crianças é o apadrinhamento, que pode ser feito através do Apadrinhamento Antini. Outra forma é escrever uma carta ou e-mail para seu deputado.

Se você quiser saber mais sobre o caso acesse o Hakani, uma voz pela vida, e o Atini, voz pela vida,


Assista ao vídeo e tire suas conclusões:

Atenção: O vídeo contém cenas de nudez e violência. Pode ser inadequado, dependendo do lugar em que você esteja acessando-o.



Fonte: http://www.hakani.org/pt/
http://vozpelavida-evoce.blogspot.com/
http://diasimdiatambem.wordpress.com/2008/05/07/hakani/
http://www.hakani.org/pt/
http://inovavox.com/?s=enterrada

Esta matéria teve co-participação da Fernanda do Boteco Feminino





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2 Comentários:

Às 21 de março de 2009 14:35 , Blogger Ariane disse...

a primeira coisa que me vem à mente quando falam em preservar a cultura indígena é a imagem daqueles índios que vemos na tv de camiseta, bermudas e tênis, relógios, tv e até internet, como vi recentemente num documentário na tv cultura. Ora, se o índio pode (e deve) usufruir das comodidades da nossa sociedade, que mal existe em permitir que conceitos e idéias também se incorporem a cultura deles?

 
Às 28 de julho de 2010 15:01 , Anonymous Cecília disse...

Giba,te confesso que a leitura me assustou um pouco,entendo e respeito a cultura dos povos indígenas;na nossa cultura isso seria inaceitável,apesar que os maus tratos na nossa se fazem presente,porém de outras formas.
Bjos

 

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